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A história de Nossa Senhora Aparecida

Foto: Internet

 

A Santa que surgiu das águas para saciar a sede de fé do povo brasileiro

“Na pequena imagem vinda da terra […] contemplamos a realeza de Maria, majestade que prevalece primeiro sobre os corações e que, por fim, prevalecerá sobre toda a história.” – Pe. José Eduardo de Oliveira e Silva, em “Minha Mãe Aparecida”. Ecclasiae: Campinas-SP, 2017. p. 131.

Os números são grandiosos. A fé que nutre 123 milhões de católicos no Brasil é a mesma que movimenta a devoção de 12 milhões de peregrinos por ano, a caminho do Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Seja de carro, de ônibus, a pé ou pedalando os 571 Km do Caminho da Fé ou os 201 Km da recém-inaugurada Rota da Luz, eles chegam de todas as partes do país para contemplar a Mãe Aparecida no maior centro de evangelização católico do Brasil, com 71.936 m2.

O Santuário de Nossa Senhora Aparecida como conhecemos hoje, nasceu da humilde devoção de três pescadores – João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia – em torno da pequenina imagem encontrada no Rio Paraíba do Sul, há exatamente 300 anos.

Museu de Cera – Aparecida


Quando a imagem de Nossa Senhora da Conceição foi encontrada no Rio Paraíba do Sul ela já era secular. De acordo com a historiadora Tereza Pasin, ela teria sido esculpida por volta de 1600, por Frei Agostinho de Jesus.


 

Os primeiros milagres

Incumbidos de levar peixes para uma recepção a D. Pedro de Almeida e Portugal – Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais – que estava de passagem pela Vila de Guaratinguetá, a família de pescadores decepcionou-se com uma pesca infrutífera. Foi quando dois achados mudaram o curso da história. Eles retiraram das águas escuras, primeiro o corpo e, em seguida, a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Milagrosamente, a pescaria terminou com as redes cheias de peixes e uma devoção Mariana que caminha incansável pela história do Brasil, desde então.

Silvana da Rocha Alves – esposa de Domingos, irmã de Felipe e mãe de João – foi a guardiã da imagem e anfitriã dos devotos. Por 15 anos, a imagem peregrinou pelas cidades vizinhas e, em 1732, ganhou seu 1º oratório público em Itaguaçu. Apenas 2 anos depois, uma Capela foi construída no alto do Morro dos Coqueiros. Mas o número de fiéis só aumentava e, em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior (atual Basílica Velha).


A Sala das Promessas, que funciona desde 1974, fica no subsolo do Santuário Nacional. Tem milhares de objetos expostos e cerca de 70 mil fotografias. Recebe 19 mil ex-votos por mês.


Basílica Velha

As graças alcançadas por intermédio de Nossa Senhora da Conceição Aparecida chamavam cada vez mais atenção. Dentre os primeiros milagres, o das velas aconteceu quando os devotos rezavam o terço no oratório de Itaguaçu. Da mesma forma que as velas se apagaram sozinhas, sem o auxílio do vento, elas reacenderam prodigiosamente.

Já na Basílica Velha, o milagre se deu quando a menina cega recuperou sua visão em uma visita de peregrinação. Nesse mesmo local, em 1850, o escravo fugitivo Zacarias teve suas correntes rompidas sozinhas ao pedir misericórdia em frente da igreja.

 

O maior Santuário Mariano do mundo

No ano de 1894, 177 anos após a descoberta da imagem, um grupo de padres e irmãos da Congregação dos Missionários Redentoristas – provenientes da Alemanha – chegou à Aparecida para atender aos romeiros e administram até hoje o Santuário.


É forte a devoção à Padroeira do Brasil na Diocese de Osasco, que é composta por 11 paróquias de Nossa Senhora Aparecida. E é com a hashtag #JudaNóisNossaSinhora divulgada nas redes sociais, que o Padre Rodrigo Rodrigues – estudante de Mariologia – celebra a fé com simpatia “à espera de um novo esplendor mariano a brilhar no Brasil”.


 

Santuário Nacional. Foto: A12

Em 1904, Nossa Senhora Aparecida foi coroada pelo Papa Pio X e 4 anos depois foi declarada Padroeira do Brasil, pelo Papa Pio XI. Mas foi ao completar 250 anos de devoção, que o Papa Paulo VI ofereceu ao Santuário de Aparecida a Rosa de Ouro, reconhecendo a sua importância e estimulando o culto à Mãe de Deus. Como a Basílica Velha já não abrigava mais tantos peregrinos, por 9 anos consecutivos a atual e grandiosa Basílica Nova foi erguida.

As atividades religiosas no Santuário passaram a ser realizadas definitivamente em 1982, quando aconteceu a transladação da imagem de uma Basílica para a outra. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida como sendo o “maior Santuário Mariano do mundo”.


A Passarela da Fé, inaugurada em 1972, liga a Basílica Velha à Nova. Sua construção de concreto tem o formato de um “S” (de Santa), com 389 m comprimento x 5,85 m largura.


Ao longo de sua história, 3 Papas visitaram o Santuário Nacional. João Paulo II em 1980, Bento XVI em 2007 e Francisco em 2013, que ofereceu um cálice ao Santuário Nacional.

 

A fé inquebrantável

Nossa Senhora Aparecida nos remete ao fortalecimento da fé em todos os momentos da sua história. Sua imagem original, acometida por alguns atentados, seguiu firme ao longo desses 3 séculos.

A necessidade de colocar a imagem em uma redoma de vidro à prova de bala se deu por conta do atentado de 1978, quando um rapaz de 19 anos, a destruiu em mais de 200 pedaços. A artista plástica Maria Helena Chartuni, então, levou 33 dias para restaurá-la.


A artista plástica que restaurou a pequena imagem lançou um livro, 38 anos após o atentado, intitulado: “A História de Dois Restauros”. Nele, Chartuni afirma que foi o maior desafio da sua vida e também a maior bênção, porque transformou todos os seus conceitos.


 

Enfim, é hora de comemorar os 300 anos de vitórias da acolhedora Mãe Aparecida. E a confirmação de todo o seu amor se dá pela concessão da indulgência plenária, decretada pela Penitenciária Apostólica, aos fiéis que visitarem a Basílica em forma de peregrinação, verdadeiramente penitentes e impulsionados pela caridade.

Mãe Aparecida, rogai por nós!

 

Fonte: Dani Nanni – Redação BIO