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Uma semana para pensar no sentido da vida

Foto: Internet

A primeira semana de outubro, de 1 a 7, é chamada, no Brasil, a Semana Nacional da Vida. E o dia 8 de outubro completa esta semana com a celebração do Dia do Nascituro, o bebê que está para nascer. Nossas comunidades seguem uma programação especial que tem como sugestão de roteiro o subsídio “Hora da Vida”, publicado pela CNBB.

A primeira razão para esta semana especial é celebrar a vida como dom de Deus. Vida é dom, é graça, todo ser vivo é um sinal do dedo de Deus. Não houve notícia até agora, e nem haverá, de que algum cientista ou inventor, algum mágico ou místico tenha algum dia fabricado um ser vivo. E olha que a ciência vem, há séculos, tentando encontrar o princípio que possa ser identificado como capaz de fazer viver um micróbio que seja. Nada. Toda vida vem de uma vida anterior e anterior, podemos seguir sua história até perder de vista… ou até chegar nas mãos de Deus Criador. Todo tipo de ser vivente tem um só Pai criador: Deus vivo.

Então não devia ser uma semana só, mas o ano inteiro, a vida inteira dedicada à vida. Sim, com razão, porém não é assim. A vida, dom de Deus, é também agredida. A natureza sofre agressão, é transformada em imenso lixão. Espécies animais estão em extinção. E o pior: o ser humano destrói a vida sua e as dos outros.

Então a Semana Nacional da Vida se torna também compromisso. Defender a vida, cuidar da vida, reverter o caminho de morte que vem sendo trilhado, é esse o propósito desta semana tão especial, não só para quem crê no Deus criador, mas especial para a humanidade toda.

Os sinais de alarme no mundo atual já vêm soando há bastante tempo. Índices de violência, de acidentes, suicídios e mutilações, miséria e fome, acidentes ecológicos, conflitos e mortes estão cada dia à nossa frente. Achamos quase normal, quando acontecem longe de nós. Mas de fato rondam constantemente a nossa vida. Que fazer?

Temos uma semana pra pensar, e a vida toda pra agir. Como o tema é muito amplo, escolho algumas ações fundamentais para contemplarmos na sequência desta Semana da Vida:

  1. A fecundidade da vida – é o tema escolhido neste ano para as nossas celebrações e reflexões. Uma vida fecunda pode se expressar pela geração de novas vidas. Mas não é só isso. É também fecundidade a vida que se dedica aos outros irmãos, gera amor e fraternidade, realiza-se na prática do bem, na construção da paz.
  2. A atitude de cuidado – cuidar é próprio de quem ama a vida. Cuidar não é algo natural no ser humano. Deve ser aprendido, cultivado. É natural o descaso, o desperdício, a indiferença. A criança que aprende desde cedo a cuidar, sobretudo quando encontra exemplos de cuidado, será um adulto comprometido com a vida. Temos ocasião de aprender e ensinar o cuidado com a vida mais frágil, com lições práticas, o dia todo. Dar a vez para um idoso, ajudar o portador de deficiência, afagar um animalzinho, pedir licença, fazer um favor, são atitudes que pra muita gente parecem estar esquecidas, ou quem sabe nunca aprenderam. Projete essa falta de cuidado para o ambiente do mundo, e você verá o resultado nas estatísticas de morte e destruição. Recomeçar em casa, então, é urgente.
  3. A fragilidade mais indefesa: o nascituro – Há uma campanha, no mundo inteiro, para que seja aprovado e legalizado o crime do aborto. É estranho esse nosso mundo que faz campanha pra preservar as baleias e mico-leões dourados, levam para a prisão os que matam certas espécies de animais, e quer tornar livre e natural matar crianças no ventre da mãe, desde que sejam indesejadas. Neste ano, travamos verdadeira batalha judicial entre os que defendem a vida e os que querem promover o aborto. A grande maioria do nosso povo não quer que seja aprovada a morte dos nascituros. Mas na hora de discutir as leis, do lado da vida estão quase só as religiões, do lado da morte estão movimentos feministas, organizações de cunho ideológico, grupos economicamente poderosos, redes de clínicas de aborto interessadas no mercado da morte. Vamos defender a vida, desde a sua concepção.
  4. A Família – é berço da vida. O lugar mais aconchegante do mundo. Devia ser, mas hoje a família é destruída pelos meios de comunicação, pelos interesses do consumo e do vício, pela falência dos princípios básicos do respeito e do relacionamento. Filhos que matam os pais, pessoas que sobram isoladas em casas e asilos, crianças nas ruas ou trancadas em casa, sem rumo e sem amor, são a ponta trágica dessa falta do amor familiar. Recuperar o amor familiar, que grande missão.
  5. A religião – As religiões são as maiores parceiras da vida. Não deviam gastar tanto tempo combatendo umas às outras, mas dando-se ao cuidado da vida. Não deviam só realizar liturgias bonitas, usar rendas e incensos, cantos afinados. Claro, tudo isso é louvar a Deus. Mas não esquecer a antiga lição que vem desde os primeiros séculos (Santo Irineu de Lion): “A glória de Deus é o homem vivente, e a vida do homem é a visão de Deus.” Louvar a Deus e servir à vida são duas metades da nossa expressão de fé religiosa. Ainda temos nas nossas comunidades, embora com belíssimas exceções, muito mais louvor com os lábios, do que serviço à vida.

Vivamos, pois, não só a Semana da Vida, mas a vida toda servindo ao Senhor que veio ao mundo para trazer vida em abundância. (Jo 10,10)

 

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de Osasco

Fonte: BIO - Boletim Informativo de Osasco