Highslide for Wordpress Plugin

Teologia do laicato em Aparecida: A vocação e missão dos discípulos missionários a serviço da Igreja

Foto: Imagem Internet

Ao andamento do processo do texto de Aparecida, existe a menção aos cristãos leigos, tendo um direcionamento muito específico.  O documento em sua segunda parte, reflete sobre “a vida de Jesus Cristo nos discípulos missionários”, isto é, encontra-se a parte doutrinal seguindo a ordem teológica adotada pelo CELAM, em que a teologia do laicato assumida pela conferência se encontra mais desenvolvida, principalmente no quinto capítulo sobre: “A comunhão dos discípulos missionários na Igreja”. Neste aspecto da teologia das vocações específicas, o documento de Aparecida segue a lógica de interpretação, da dignidade das vocações comuns, onde há diversidade de ministérios e carismas do universal, ao particular como na LG.

De modo que passo a passo, a conferência apresenta uma maior ligação da doutrina conciliar sobre o laicato. Na verdade, isso significa o amadurecimento teológico-pastoral sobre os leigos na Igreja da América Latina (DAP, 99), porém, vê-se nas conferências uma contínua e progressiva assimilação, dos recursos teológicos presentes na colocação da Lumen Gentium, do qual são citadas 31 e 33 voltando-se para os principais meios: homo christianus e homo ecclesia e participação no tríplice exercício de Cristo, segundo a vocação secular, deste período existencial.

Se na Conferência do “Santo Domingo” afirmava-se o protagonismo dos leigos na Nova Evangelização, em Aparecida, os bispos pontuam com mais rigor, que a missão evangelizadora da Igreja é inadmissível sem a participação do laicato.

Bispos reunidos durante a V Conferência de Aparecida, em 2007. Imagem Internet

De modo que, a conferência coloca a missão do leigo no mundo, e na Igreja, a superação de certa mentalidade clericalista. Não que a influência do clero e do laicato, tenham sido reduzidos da Igreja, mas a questão somou certo equilíbrio teológico na construção do pensamento e ações.

Em Aparecida, a missão eclesial dos leigos e o seu apostolado têm sentido como exercício do tríplice encargo da vocação: tanto a família, quanto a sociedade consistem em ordenar essas realidades segundo o Reino de Deus.

Somente num segundo ponto do DAP, 213 afirma-se que os leigos são chamados a participar de ações da vida pastoral da Igreja; essa ação “participação” é observada de forma teológica, uma vez que a Igreja é Mistério de Comunhão, é também de forma pastoral, colaboradora nos serviços e ministérios.

A missão dos leigos não os separa dos demais membros da Igreja, por suas “hierarquias”, porque a missão realiza-se na comunhão eclesial. Se tratando da missão na Igreja, o documento exorta e orienta a hierarquia à abertura de espaço a participação dos leigos, confiando-lhes os ministérios sacramentais.

Porém, não basta a abertura ao espaço e participação, é necessário oferecer aos leigos uma formação cristã integral e permanente. Essa formação deve ajudar para o exercício missionário da Igreja nos meios comunitários, nas ações pastorais ao mundo, levando a superação de uma consciência clericalizante dos leigos, e mostrando que os ensinamentos tendem a somar nas tarefas realizadas ad intra. Por fim, a grande contribuição da conferência de Aparecida sobre os cristãos leigos, foi oferecer meios de formações integral, resgatando os métodos mistagógicos da Tradição Cristã Antiga.

 

Seminarista Diego Medeiros

Fonte: BIO - Boletim Informativo de Osasco