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Diocesanas, Notícias › 21/06/2019

Por que Ciência e Fé devem caminhar juntos

“Ora, a Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem.” (Hebreus 11:1)

Nada pode ser mais polêmico e, ao mesmo tempo instigante, do que discutir sobre a relação entre Ciência e Fé. Apesar do aparente e enraizado confronto, as evidências provam que os dois podem e devem caminhar juntos.

E esse caminhar lado a lado vem de muito tempo. Por mais agnósticos ou ateus que célebres e reconhecidos cientistas se rotularam ao longo dos séculos, mais cedo ou mais tarde em suas trajetórias, alguns deixaram escapar pareceres — mesmo que tímidos — a favor da Fé.

A Igreja, por sua vez, sempre entendeu a importância da Ciência para o desenvolvimento da humanidade e, mais do que isso, se aliou a ela e a apoiou. Um exemplo disso foi a criação da Academia Pontifícia das Ciências, no ano de 1603, em Roma, que desde então reverteu muitos prêmios Nobel e grandes descobertas científicas.

 

Os caminhos da Fé pela Ciência

Desde o primeiro século a Igreja estima a razão e a Fé. Sempre valorizou a filosofia, que emprega a razão para encontrar o caminho da felicidade. São Justino (falecido em 163), era filósofo, mas após a sua conversão ao Cristianismo disse: “somente então tornei-me filósofo”. Ele e muitos defensores do Cristianismo nos primeiros séculos usaram a filosofia para apresentar a beleza da religião.

A Academia Pontifícia das Ciências foi, então, fundada pela Igreja, é composta por 80 acadêmicos pontifícios nomeados pelo Papa, sem discriminação de nenhum tipo. Criada sob o pontificado do Papa Clemente VIII, teve como primeiro presidente o célebre físico, matemático, astrônomo e filósofo Galileo Galilei (1564-1642).

A Academia tem como fim honrar a Ciência pura onde quer que se encontre, assegurar sua liberdade e favorecer a pesquisa, que constitui a base indispensável para o progresso das Ciências.

A existência da Academia como prova da visão positiva que a Igreja tem em relação à Ciência é como um … “sinal visível que mostra aos povos, sem qualquer forma de discriminação racial ou religiosa, a harmonia profunda que pode existir entre as verdades da Ciência e as verdades da Fé”, nas palavras de São João Paulo II.

Em 1972, a Academia elegeu um leigo para presidente, pela primeira vez: o brasileiro neurocientista Carlos Chagas Filho (1910-2000).  O Brasil ficou sem representantes até 2012, quando Bento XVI nomeou como membro um físico da USP (Universidade de São Paulo), Vandelei Bagnato.

O credo – católico ou outro – não é um critério, no entanto, para os membros da Academia. O ex-presidente do grupo e bioquímico suíço, Werner Arber, Prêmio Nobel de Medicina de 1978, é protestante. Há membros da Academia que são católicos, ateus, protestantes, entre outras religiões. O renomado cientista astrofísico Stephen Hawking (1942-2018) — autoproclamado ateu —, por exemplo, foi um valoroso membro da Pontifícia Academia das Ciências.

“Compreendo que o fenômeno religioso, especialmente a espiritualidade, é elemento transversal aos diversos saberes. Em ambiente de pós-modernidade é essencial (re)conhecer a dinâmica da ‘explosão do religioso’ ou ‘revolução espiritual’ para se ter uma visão equilibrada, tanto do interno das religiões institucionalizadas, como dos vários âmbitos do ser humano, tais como os negócios, o entretenimento, a família, o lazer, a educação, a Ciência, etc”, afirmou o teólogo, doutorando em Ciência da Religião, Robert Rautmann.

 

Os caminhos da Ciência pela Fé

“Eu sei que Deus existe! O mundo é inexplicável sem Deus”. O próprio Voltaire (1694-1778) — escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês — inimigo visceral da Igreja, afirmava que “este relógio não pode existir sem o relojoeiro. Toda a beleza que a Ciência nos revela seria simplesmente impossível sem o Criador. Recuso-me, com todas as fibras do meu corpo e com todas as faculdades da minha alma, a acreditar que tudo o que há no universo possa ser obra do acaso cego. A Ciência e a Fé o rejeitam. Será que ‘acaso’, não é o pseudônimo que dão a Deus aqueles que, por conveniência, não querem pronunciar o seu nome?”.

É fato que muitos cientistas crescem na intelectualidade mas atrofiam na espiritualidade; e, portanto, não conseguem entender as razões da Fé; isto faz com que muitos deles se digam ateus, agnósticos etc.

No entanto, admitem ser mais difícil provar que Ele não existe, do que o contrário. “Se Deus não existe, então, tudo é válido”, disse Dostoiewiski (1821-1881) —filósofo russo, considerado um dos maiores romancistas e pensadores da história, bem como um dos maiores ‘psicólogos’ que já existiu.

O geneticista estadunidense Dr. Francis Collins, diretor do maior projeto de Biotecnologia já realizado no mundo, o Genoma Humano, é um homem de grande Fé. Ele escreveu o livro “A linguagem de Deus”. Em resposta aos cientistas ateus, ele diz: “Eu acredito que o ateísmo é a mais irracional das escolhas. Os cientistas ateus, que acreditam apenas na teoria da evolução e negam todo o resto, sofrem de excesso de confiança. Na visão desses cientistas, hoje adquirimos tanta sabedoria a respeito da evolução e de como a vida se formou que simplesmente não precisamos mais de Deus. O que deve ficar claro é que as sociedades necessitam tanto da religião como da Ciência… Usar as ferramentas da Ciência para discutir religião é uma atitude imprópria e equivocada… Em vez de blasfemarem, esses cientistas deveriam trabalhar para elucidar os mistérios que ainda existem…” (Veja, Edição n. 1992 de 24 jan 07).

Enfim, como diz o professor de teologia e cientista Felipe Aquino, “a Ciência e a Fé se juntam para nos dizer que somos um milagre do amor e da sabedoria de Deus; somos a meta fixada para toda a evolução do cosmos, desde o Big Bang; somos o ápice de toda a obra visível do Criador que se revelou em Jesus Cristo. Não compreendemos ainda toda a nossa grandeza”.

 

Dani Nanni

Redação BIO

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