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Pastoral Fé e Política comemora mais de 30 anos de engajamento

 

A contagem regressiva para as eleições presidenciais de 2018 já começou e o cenário político brasileiro é considerado pouco amistoso. O país vive uma forte recessão econômica, denúncias de corrupção correm pelos corredores do Planalto, a Lava Jato já acumula 47 fases e toda essa situação requer que a sociedade se mobilize, agora, por um futuro com menos descrença e mais perspectiva.
E é com o objetivo de conscientização, formação e engajamento do povo que a Pastoral Fé e Política atua na Diocese de Osasco, campo fértil para os leigos que se sentem vocacionados para esta missão. A Pastoral – iniciada na diocese pelo Padre Luizinho (atualmente Bispo Dom Luiz Fernando Lisboa) – é fruto da caminhada dos movimentos sociais e encontra-se em sintonia com as diretrizes pastorais da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), atuando há mais de 30 anos em Osasco. “Desenvolvemos cartilhas e folders para a formação cidadã, especialmente nos anos eleitorais, realizamos encontros mensais e anuais e damos cursos de formação sobre fé e política”, afirmou Joaquim João da Silva, que desde 1984 atua na Pastoral.

“Também compõem a coordenação da Pastoral, Joaquim da Silva, José Fonteles, João Batista, Pedro de Morais, João Frederico dos Santos e Vicente Napoleão. Temos uma bagagem grande nessa área e nosso grupo surgiu antes mesmo da formação da Diocese de Osasco. Escrevemos 11 cartilhas de formação aos longos de três décadas e já atuamos nas Campanhas da Fraternidade, Conselhos de Leigos, cursos de Teologia Pastoral, fundamos as pastorais sociais, entre outras ações”, informou Jonas Queiroz, que também faz parte da base da Pastoral.

Cristãos leigos: sal da terra e luz do mundo

A vocação à política de um leigo cristão deve ser embasada no bem comum, na caridade social, no horizonte amplo do serviço à comunidade, que são os fatores necessários para que ele se diferencie daqueles que se deixam corromper por vantagens de qualquer natureza. “Nós temos o papel de incentivar o leigo a ser missionário no meio político. Visamos conscientização e não votos. Visamos a política do bem comum e não a politicagem”, afirmou José Fonteles da Silva.

Esse assunto foi amplamente discutido na 54º Assembleia Geral da CNBB, de 2016, com o tema “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – Sal da terra e luz do mundo”. De acordo com o estudo 107 da CNBB, o leigo já não constitui um segmento ou um mero braço da hierarquia no mundo, como era visto anteriormente, mas um sujeito eclesial que realiza, em sua condição e missão próprias, o tríplice múnus de Jesus Cristo sacerdote, rei e pastor (cf. LG, n. 31.34-36).

“Somos uma pastoral social e incentivamos os leigos a participar consciente, efetiva e frutuosamente dos processos de planejamento, decisão e execução da vida política seja no âmbito do seu bairro, da sua cidade, estado ou país. Para tanto, temos dois grupos atuando, um na Paróquia Cristo Rei (Itapevi) e outro na Comunidade Cristo Ressuscitado (Osasco)”, completou Fonteles.

 

Chamados a participar da (re)construção da sociedade

As instituições do Estado Brasileiro, os sistemas político e eleitoral e a própria ideia de democracia representativa enfrentam uma crise de confiança por parte dos cidadãos. Por isso, a Semana de Fé e Compromisso Social de 2016 teve como tema central a Política e o Bem Comum. O ciclo de encontros propôs uma formação fundamental sobre as contribuições essenciais da tradição clássica e cristã, no diálogo com os desafios atuais da vida política. O programa reuniu aspectos da filosofia, sociologia, antropologia, direito, teologia e ensino social cristão permitindo uma reflexão sobre a pessoa e suas manifestações nas várias dimensões da vida humana.

            “Foram três dias muitos produtivos nos quais abordamos a política, o bem comum e a participação democrática. Tivemos a oportunidade de refletir sobre temas de grande relevância, como a importância da participação do leigo cristão no processo de (re)construção de uma sociedade mais igualitária, baseada na verdade e na justiça”, afirmou Fonteles.

A tomada de consciência por parte dos eleitores e dos processos de combate à corrupção que a política nacional vivencia nos últimos anos promove o anseio coletivo por novos princípios, valores e modelos de Estado capazes de construir um país mais justo e fraterno com ajuda das políticas públicas. “Atualmente, temos uma Pastoral com uma base forte, bem consolidada com poucas pessoas, mas que há anos lutam por melhorias em nossas realidades. Mas já chegamos a ter mais de 50 membros ativos engajados em movimentos sociais, nos conselhos paritários da cidade, nos setores da criança e do adolescente, saúde, entre outros. Precisamos retomar esse engajamento, principalmente da nossa juventude, que tem uma força incrível”, continuou Fonteles.

“A Igreja e seus fiéis têm papel importante na transformação da sociedade. Muitos não sabem ou não se lembram, mas a Campanha da Fraternidade de 1996 – cujo tema foi Fraternidade e Política (A Serviço da Vida e da Esperança) – frutificou na mobilização da população brasileira para a coleta de mais de 1 milhão de assinaturas, gerando a promulgação, em 1999, da Lei 9840/99 contra a compra de votos e o uso indevido da máquina administrativa”, informou Joaquim.

Os membros da Pastoral Fé e Política acreditam que um novo momento esteja surgindo. “O Papa Francisco tem incentivado as pessoas a serem mais participativas. Precisamos de maior colaboração dos leigos e o despertar das comunidades. Por isso, estamos elaborando uma cartilha atualizada sobre o assunto, além de cursos de formação mais atrativos. Entendemos que a massiva participação da população na política seja importante para ajudar a reverter a crise que se instalou no país”, finalizou Fonteles.

 

Daniela Nanni e Roberto de Campos

Redação BIO

Fonte: BIO Diocesano