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Diocesanas, Notícias › 17/03/2017

Voz do Pastor: O Papa tem os jovens no coração

 

Com uma carta muito terna, dirigida aos Jovens, o Papa Francisco dá início à preparação do próximo Sínodo dos Bispos, o 15º após o Concílio, que vai acontecer em outubro de 2018 e terá como tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

Que o Papa tem um coração jovem e voltado para os jovens, nós já o sabíamos desde o início do seu pontificado quando, no Rio de Janeiro, falou ao coração de quatro milhões de jovens, espalhados pela praia de Copacabana. Depois disso, houve o encontro com os jovens em Cracóvia, na Polônia, onde o Papa perguntou se era possível contar com eles para transformar o mundo. E arrancou dos corações jovens um emocionado grito: “Sim!” Pois, agora, o Papa volta à juventude com uma proposta bem concreta para por esse “sim” em movimento: quer que os jovens sejam protagonistas, deem ideias, sejam generosos e corajosos ao colocar em prática essa mudança.

No raciocínio do sucessor de Pedro, os passos estão interligados: o primeiro foi a Evangelii Gaudium, como fruto do Sínodo da Nova Evangelização, colocando toda a Igreja em atitude missionária e em conversão pastoral. Depois os dois sínodos da Família, e a Amoris Laetitia que é um verdadeiro compêndio sobre o amor familiar, caminho de renovação para a humanidade. Não é mero acaso, mas Amoris Laetitia cita umas quarenta vezes o jovem como sujeito e como objeto privilegiado da transformação da família e do mundo. Agora virá o novo Sínodo, em que o Papa coloca toda a Igreja em atenção para com os jovens e lhes diz: “Um mundo melhor se constrói graças ao vosso desejo de mudança e à vossa generosidade… Fazei ouvir vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores”.

Com sua simpatia absoluta em todos os ambientes de fora da Igreja, o Papa navega contra a corrente de alguns grupos de Igreja que não querem mudança, ou querem andar para trás. Nunca foi tão abertamente contestado como agora no seu cuidado com as famílias. Terá, sem duvida, nos jovens, uma acolhida que lhe garante não precisar dar outra resposta senão aquela de estar sendo fiel ao Evangelho de Jesus Cristo e fiel à Igreja.

 

Como se faz o caminho sinodal

 

O texto preparatório para o Sínodo traz perguntas que são bem instigantes para iniciar uma grande reflexão, no mesmo estilo dos Sínodos anteriores. O caminho sinodal começa com um levantamento de dados estatísticos e com diversas perguntas cujo ponto central é, a meu ver, este: “De que modo escutais a realidade do jovem?” O que, concretamente, pedem os jovens (do seu país, da sua diocese, da sua paróquia, do seu movimento…), o que pedem à Igreja hoje?” São, no total 15 perguntas apenas, porém, de grande importância e abrangência. E mais três perguntas específicas por Continente: para nós, no Continente Americano as perguntas dizem respeito à nossa realidade de violência e exclusão dos jovens, a participação no mundo sociopolítico e as ações pastorais em andamento.

Essas respostas serão recolhidas do mundo inteiro e servirão para construir o “Instrumento de Trabalho” que será a base dos debates e estudos do Sínodo. Por último, o Papa deverá escrever, a partir das propostas da Assembleia Sinodal, uma exortação para toda a Igreja sobre este assunto.

 

A nossa tarefa

Podemos entrever que a nossa tarefa imediata tem um peso muito grande. Devemos responder com urgência e sinceridade as perguntas do Papa. De que forma? Sugiro alguns passos:

  1. Conhecer o documento preparatório. – Ele não é dirigido aos jovens, mas sim a toda a Igreja. Pode ser adquirido nas livrarias ou no site das Edições CNBB o documento de número 33. Ele traz a carta do Papa aos jovens, uma explicação do tema escolhido por Francisco: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Traz as perguntas que devem ser respondidas. Esse texto pode também ser baixado no computador, em português, no site do Vaticano. É só procurar.
  2. Quem deve responder? – Todos. Mas, ao menos, quatro grupos estão, por si só, comprometidos com este tema: a Juventude e suas organizações, a Pastoral Familiar, a Pastoral Vocacional e a Pastoral da Educação. Seria muito pedir que, em nossa diocese, se reúnam esses quatro grupos, a partir de suas coordenações, para estudar as perguntas e pensar juntos como obter uma resposta ampla e significativa do questionário, e assim contribuir para com a Igreja?
  3. Quais juventudes devemos ouvir? – Quem são os jovens que responderão às perguntas do Papa? O uso do plural – as juventudes – nos chama a atenção para o cuidado de não excluir ninguém. Podemos ficar apenas com as respostas dos jovens que frequentam os grupos paroquiais e os movimentos. Ou restringir a pesquisa aos que frequentam a igreja aos domingos. Sugiro que, no levantamento a ser feito na diocese, tenham voz os jovens que não participam da igreja, os jovens migrantes, os jovens encarcerados, os jovens que buscam seu primeiro emprego, os jovens deficientes, os jovens nas escolas, os jovens universitários, os jovens de outras religiões, aqueles que menos têm proximidade conosco.
  4. Responder para a Igreja e para nós mesmos – O levantamento pedido pelo Sínodo também é uma ferramenta para nós mesmos. Não precisamos esperar o mês de outubro de 2018 para começar a agir. As respostas ao questionário do Sínodo deverão se configurar como um caminho de evangelização das famílias, a começar desde já, podendo crescer durante o percurso sinodal. Não tenhamos medo de dar passos generosos e em conjunto, envolvendo todas as pastorais.
  5. O último pedido do questionário do Sínodo é de extrema importância: compartilhar boas experiências. O Sínodo pede que se faça um relato de uma página, com as boas iniciativas e suas consequências. Podem ser experiências grandes como foi o “Cracóvia é Aqui”, ou uma experiência paroquial que envolveu poucos agentes, mas trouxe um resultado prático. Imaginem que imenso “banco de ideias” teremos com a divulgação destas experiências bem sucedidas, quando muitas vezes nem ficamos sabendo das coisas que se passam na paróquia vizinha, ou dentro da mesma paroquia!!!

O convite é do Papa. A urgência e o esforço dependem de nós. O resultado, depende de Deus e, da parte dele, não faltará a graça. Os textos estão disponíveis, é só começar. Permitam-me repetir: o Sínodo não é somente para os jovens em idade. É para toda a Igreja, para as famílias, para o tempo presente e para o futuro da evangelização.

 

Dom João Bosco, ofm

Pres. da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família

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