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Diocesanas, Notícias › 15/11/2017

O Ano Litúrgico e seus evangelhos

 

O Ano Litúrgico celebra o Mistério de Deus em Cristo e encontra o seu fundamento na livre iniciativa de Deus de se auto revelar na história e na vida da humanidade, por isso, ao longo de todo o ano celebramos esse acontecimento fundante da nossa fé na liturgia e na vida.

A Sagrada Escritura é a verdade salvífica revelada por Deus, de modo que possui um lugar privilegiado na Liturgia e na Catequese uma vez que ela é a sua maior fonte. Sendo assim, a Igreja organizou as leituras que são feitas na Santa Missa em três anos: Ano A, B e C para que melhor e mais profundamente se viva e se celebre o mistério de Cristo.

Em cada ano litúrgico propõe-se a leitura de um dos Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) aos domingos e nas principais festas. Eles receberam o nome de sinóticos porque podem ser lidos em paralelo, pois apresentam uma síntese da Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, de suas palavras e ações. O Evangelho segundo São João de um modo diverso é lido nos três anos em algumas Solenidades, de um modo especial na Páscoa.

Os Evangelhos foram escritos à luz da Fé Pascal, ou seja, tendo como base a paixão morte e ressurreição de Jesus, o anúncio do querigma, a fim de despertar a fé nos ouvintes. Eles tinham destinatários diferentes: Mateus escreveu aos judeus, Marcos aos romanos, Lucas aos gentios e João a todos, de um modo universal.

Os evangelistas foram simbolizados pela tradição da Igreja por quatro figuras descritas no livro do Apocalipse (Ap 4,6-8), tendo como fundamento o começo da narração de cada evangelista. Mateus é representado pela figura de um homem porque no início do Evangelho escrito por ele é apresentada a genealogia de Jesus, ou seja, o homem como obra prima de Deus. Marcos é representado pela figura de um Leão, porque começa o Evangelho com a pregação de João Batista no deserto, onde os leões habitavam, tendo em vista a realeza de Cristo, sua força. Lucas é representado pela figura de um touro porque na parte inicial do Evangelho ele fala sobre o templo, onde eram imolados os bois, significando a dimensão da oferta. Por fim, João é representado pela figura da águia, por causa do elevado estilo de seu Evangelho, por falar da Divindade e do Mistério altíssimo do Filho de Deus no seu prólogo.

A Constituição Sacrosanctum Concilium do Concílio Vaticano II determinou que “se prepare para os fiéis, com maior abundância, a mesa da Palavra de Deus: abram-se mais largamente os tesouros da Bíblia, de modo que, dentro de um período de tempo estabelecido, sejam lidas ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura”. 

Segundo São Jerônimo Ignorar as Escrituras é Ignorar a Cristo”, portanto, que nesse Ano B, possamos rezar e meditar as leituras retiradas do Evangelho Segundo São Marcos e colher os frutos da graça de Deus contidos nelas.

 

O Ano Litúrgico sob o olhar do Evangelho segundo Marcos

 

            “Pois o Filho do homem não veio para ser servido mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Através dessa afirmação temos uma chave de leitura teológica para entender o Evangelho narrado por São Marcos uma vez que seu objetivo principal era mostrar que Jesus sendo o Senhor se fez servo e ensinou a servir, e por isso o discípulo precisa aprender com o mestre a servir a Deus nos irmãos, uma vez que o fundamento do discipulado é o serviço.

O Evangelho segundo Marcos foi o primeiro a ser escrito, por volta do ano 65d.C, portanto é o mais antigo dos evangelhos. É também o mais curto possuindo apenas 16 capítulos. Seu objetivo principal era apresentar às primeiras comunidades cristãs quem é Jesus, sua identidade messiânica. Assim, olhando para as ações de Jesus o leitor concluirá que Ele é Deus, que Ele é o Senhor, e passará a segui-lo no caminho do discipulado, no cotidiano da vida, abraçando o querigma cristão, testemunhando a alegria do encontro com Cristo e saindo em missão.

O discípulo autêntico vai atrás do mestre no caminho da Cruz. Não existe discipulado sem Cruz. Infelizmente os discípulos custaram para entender isso, de modo que por diversas vezes Jesus os exortava. “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque quem quiser salvar a sua vida irá perdê-la, mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, irá salvá-la” (Mc 8,34-35).

Marcos revela Jesus sendo muito duro com os discípulos, mostrando que eles ainda estavam cegos, sem reconhecer na humildade o caminho ensinado e vivido pelo Mestre, pois mesmo depois de presenciarem tudo o que o Senhor realizou, de conviver com Ele, de ouvir seus ensinamentos, ainda assim buscavam o primeiro lugar, queriam o poder, queriam reinar segundo os critérios desse mundo.

O modo de Jesus reinar é diverso dos reis deste mundo, Ele reina servindo e dando a vida, reina na Cruz, morrendo para nos salvar. A grande dificuldade dos discípulos foi entender que Jesus é o Senhor justamente porque servia.

Que nós ao longo desse ano litúrgico que se inicia (Ano B), em que meditamos no Evangelho segundo Marcos, possamos estar atentos às necessidades dos nossos irmãos e irmãs. Que esse advento seja um tempo frutuoso de conversão e amadurecimento para nós.

 

Sem. Leonardo Loriato de Souza

3º ano de teologia

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