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As novas perspectivas da vida consagrada da Igreja

Foto: Internet

 

Dentre as diversas formas de discipulado-missionário no Corpo de Cristo que é a Igreja, encontramos a vocação à vida consagrada. Quem sente este chamado, busca de uma forma mais radical, viver o sacramento que nos abre às portas à Igreja, à vida plena em Cristo: o Batismo – professando, de uma forma especial, os conselhos evangélicos, sinais eloquentes do Reino.

A Vida Religiosa está inserida na vida da Igreja e esta, por sua vez, no mundo – numa realidade marcada por constantes mudanças e avanços. Por conseguinte, ela é convidada e impelida a buscar e discernir uma nova relação entre Igreja e mundo. Nesta perspectiva a Congregação dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica lançou um documento de Orientação, chamado “Para vinho novo, odres novos”, fruto da plenária do Dicastério de 27 a 30 de novembro de 2014 e de sucessivas reflexões e encontros ocorridos, sobretudo no Ano da Vida Consagrada em 2015.

Este documento propõe uma análise e discernimento, à luz do Espírito, dos apelos que faz ressoar hoje, tendo como ponto de partida a reflexão do desenrolar da Vida Religiosa com os seus desafios do Concílio Vaticano II aos nossos dias. Convida a “analisar com parresia os odres adequados a guardar os vinhos novos que o Espírito continua a dar à sua Igreja, exortando a levar a cabo mudanças com ações concretas a breve e longo prazos”. (“Para vinho novo, odres novos”, Paulinas, 2017, p. 9)

Da Vida Religiosa requer atualmente uma fidelidade criativa com uma certa “elasticidade” capaz de ao mesmo tempo zelar e repropor a inspiração primitiva dos Institutos, suportar as tensões atuais e responder aos apelos da história. Buscar uma justa medida, baseada na forma que Jesus viveu e anunciou o Reino, fundado na lei da liberdade, permitindo um novo modo de entrar em relação com as pessoas e situações concretas. (cf. idem, p. 12) Não só uma mudança de estrutura, mas uma conversão do coração – prática que muitas vezes desestabiliza e entra em confronto com esquemas pré-concebidos que já não respondem aos desafios dos dias de hoje.

Novas perspectivas que colocam a Vida Consagrada a caminho, em movimento, discernindo os novos percursos, com sabedoria e senso eclesial, em escuta constante aos apelos do Espírito, (cf.idem, p. 21) recordando sempre o seu profetismo e a alegria de pertencer ao Senhor e viver para Ele e para os irmãos. Mais uma vez, sente-se ressoar: “Eis que faço novas todas as coisas”! (Ap. 21,5)

 

A alegria da Consagração

Uma particular atenção no contexto atual também foi dada à vida contemplativa feminina na Igreja, com a publicação da Constituição Apostólica Vultum Dei Quaerere. Este documento veio preencher e sanar a lacuna de um texto legislativo pós conciliar para esta específica vocação; busca refletir as novas realidades que os Mosteiros estão vivendo atualmente.

Novas perspectivas são oferecidas para somar e atualizar a rica tradição que possui e caracteriza este estilo de vida. É através da sua “vida escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3), que o contemplativo busca apaixonadamente a Face do Amado, como sugere o próprio título da Constituição. Ulteriores clarificações e explicações virão com uma futura Instrução preparada pela Congregação da Vida Consagrada.

Hoje, o grande desafio que tem diante de si a vida contemplativa, sinaliza Dom Carballo, “é ser de verdade e simplesmente mais contemplativa”, ter uma sensibilidade afinada capaz de perceber os rumores dos passos de Deus no silêncio do quotidiano, da história, da atualidade. (cf. CARBALLO, José Rodriguez. Vultum Dei Quaerere per crescere nella fedeltà creativa e responsabile, Libreria Editrice Vaticana, 2017, p. 39 e 41)

Felizmente, no Brasil, o número de pessoas chamadas a viver esta vocação é grande e, nestes 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora no Rio Paraíba, em Aparecida aconteceu o II Encontro Nacional da Vida Monástica e Contemplativa com a participação de diversos representantes dessas famílias religiosas. Entre os dias 23 a 27 de maio se reuniram para recordar e viver o que a Igreja lhes pede, celebrando a alegria da Consagração Monástica e Contemplativa. Conferências, partilhas e experiências enriqueceram este encontro no coração do Ano Mariano.

No próximo dia 21, celebra-se a festa da Apresentação de Nossa Senhora no templo. Neste dia a Igreja também celebra a jornada “Pro Orantibus”, que é um dia de oração e suporte para a vida monástica e contemplativa. Recordemos, de uma forma especial, todos aqueles que abraçaram esta vocação e os três mosteiros presentes na Diocese: Dominicanas, Carmelitas e Passionistas. Peçamos ao Senhor que possam ser “como Maria, escadas pela qual desce Deus para encontrar o homem e o homem sobe para encontrar Deus e contemplar o seu rosto no rosto de Cristo” (idem, p.96). E que nenhuma dificuldade ou desafio impeça de resplandecer a alegria dos consagrados de pertencer ao Senhor, pois a meta é a maturidade do desenvolvimento, na plenitude de Cristo! (cf. Ef. 4,13)

 

Ir. Luzia Daniela da Trindade, CP

Mosteiro Santa Gema

Fonte: BIO Diocesano