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Brasil, Igreja, Notícias gerais › 25/09/2014

Pastoral da Criança comenta expectativa da ONU sobre a meta global de mortalidade infantil

O UNICEF divulgou no dia 16 de setembro o relatório sobre a mortalidade infantil que mostrou que mesmo tendo reduzido, nos últimos anos, as taxas de morte na faixa etária da infância, a meta global estipulada pela ONU só será tingida em 2026, com 11 anos de atraso. O intuito era reduzir a mortalidade infantil em dois terços até o fim de 2015, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos em 2000.

A Pastoral da Criança, organismo de ação social da CNBB, que se preocupa com a saúde das crianças e atua fortemente na redução da mortalidade infantil propõe a conscientização e a ação por parte das pessoas comuns e dos governantes que possam contribuir para que haja essa redução.

Clóvis Boufleur, gestor de relações institucionais da Pastoral da Criança, em entrevista ao A12.com comentou o atraso no alcance da meta da ONU, como a pastoral vem trabalhando na redução da mortalidade infantil e quais ações sociais podem contribuir para a diminuição desse problema.

A12 – De acordo com a ONU, a meta global de mortalidade infantil será atingida com 11 anos de atraso. Quais os motivos?

 Boufleur – A mortalidade infantil é um indicador relacionado com os determinantes sociais de doenças de saúde materna e de saúde e nutrição infantil. Os países com menor crescimento econômico, menos redução das disparidades de renda entre a população rica e a pobre, baixa escolaridade das mulheres e pouco espaçamento entre os nascimentos tendem a possuir maiores taxas de mortalidade infantil. Fatores como a mobilização de voluntários na comunidade, como faz a Pastoral da Criança, assim como serviços públicos de saúde abrangentes, capacitação dos profissionais de saúde, incentivo ao pré-natal, alojamento conjunto após o parto, amamentação, hidratação oral e vacinações diminuem a mortalidade infantil. Os países com as maiores taxas de mortalidade infantil estão na África. E o maior número de mortes acontece nas primeiras horas depois do nascimento. Portanto, as ações de prevenção precisam ter como foco o primeiro mês de vida da criança, com assistência especial às crianças prematuras e de baixo peso.

A12 – A ONU destaca ainda que as mortes são, na maioria, casos que poderiam ser evitados. Como a Pastoral da Criança vê essa realidade?

Boufleur – As ações preventivas de saúde e nutrição das crianças pobres, realizadas pela Pastoral da Criança, estão entre as principais iniciativas que contribuíram para melhorar a saúde infantil no Brasil, nas últimas três décadas. O conhecimento é levado para as famílias por meio de visitas mensais e encontros de Celebração da Vida, que reúnem as crianças e gestantes da comunidade. A qualidade do pré-natal, do parto e pós-parto faz toda a diferença para evitar mortes precoces. O incentivo ao parto natural e à amamentação exclusiva até os seis meses de vida são outras iniciativas para prevenir a mortalidade de crianças.

 A12 – Quais iniciativas de políticas públicas a Pastoral da Criança observa que ainda faltam para que essa meta seja alcançada em um prazo menor?

 Boufleur – Os governos devem elaborar políticas para reduzir o abismo entre ricos e pobres, construir escolas e organizar programas de atenção à saúde. E treinar os servidores nas áreas de educação e saúde. Os países poderiam ampliar a colaboração entre as nações para produzir e distribuir vacinas e medicamentos para as principais infecções que matam as crianças. As tradições religiosas e entidades sociais precisam assumir o compromisso de mobilizar recursos e adotar medidas inter-religiosas contra todas as práticas nocivas para as crianças. No Dia Internacional de Erradicação da Pobreza (17 de outubro), podemos renovar esse compromisso. Essa iniciativa inter-religiosa de luta contra a pobreza foi lançada no IV Fórum da Rede Global de Religiões pela Criança (GNRC), realizado de 16 a 18 de junho de 2012, em Dar es Salaam, na Tânzania (África Oriental).

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