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Diocese de Osasco

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Brasil, Igreja, Notícias gerais › 28/04/2016

Amoris Laetitia: Alegria do Amor

 

“Gaudium” ou “Laetitia”, mais uma vez o Papa Francisco nos presenteia com uma visão positiva da vida cristã, seja na missão de evangelizar seja, agora, no cultivo da vida familiar.  A alegria condiz com o seu sorriso franco, com o louvor a Deus pelas maravilhas da criação, com a leveza com que se move diante das câmeras e dos microfones dos jornalistas que insistem em perguntar sobre crises, problemas, situações espinhosas e polêmicas. O tom alegre da Amoris Laetitia facilita a leitura, acende o diálogo, abre portas onde não havia, muda a própria imagem da Igreja, descartada pela cultura do mundo, porém agora recuperada com o prestígio do Papa, que agrada a todo o mundo.

Não vamos nos enganar, a linguagem simples e direta, típica do Papa Francisco, vem carregada de um sentido, novo e arejado. Trouxe surpresas? Sim, foi fiel às reflexões dos dois Sínodos, mas foi além. Sua abordagem pastoral é o mais surpreendente. Mas não trouxe surpresas para quem acompanhou as catequeses de quarta feira, as homilias e discursos que fez sobre o tema, no decorrer dos dois anos. Nenhuma novidade doutrinal, e até insistência na fidelidade ao ensino anterior da Igreja, com inúmeras citações. Sem surpresa para a grande imprensa que só identificou, sem novidade, “a tolerância do Papa com gays e divorciados”, e era o que queriam ver.

As lições de amor, do Papa Francisco, são o que há de melhor na exortação. Mas, sem dúvida, o que mais nos vai ocupar é o cuidado pelos que estão feridos, as fragilidades, os que estão em situação irregular. Podem comungar, ou não? O Papa responde com um convite ao acompanhamento pastoral, caso a caso, dizendo que ninguém pode ser excluído do amor maternal da Igreja. Acolher, tratar as feridas, usar o discernimento, integrar, prosseguir até o extremo da misericórdia, é essa a tarefa que vai pesar nos ombros dos pastores. É bem extenso e pormenorizado o capítulo do discernimento (a partir do n. 296) para que se evite a concessão de exceções e privilégios sacramentais, como também se evite a negligência e a recusa. “Os sacerdotes têm o dever de acompanhar as pessoas interessadas pelo caminho do discernimento, segundo a doutrina da Igreja e as orientações do bispo” (n. 300)

Os bispos, em Aparecida, trocaram ideias sobre a Amoris Letícia e até pediram que se definisse melhor essas questões, para evitar uma multiplicidade de interpretações subjetivas. Por outro lado, se o Papa mesmo não pensou em definir, por que o fariam os bispos? Observe-se, por exemplo, a sua expressão: “Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos” (nota 351). Que casos seriam esses?

Podemos supor, pelo claro propósito de fidelidade à disciplina da Igreja, que esses casos se referem àquilo que já a Familiaris Consortio, de S. João Paulo previu. No entanto, a Amoris Laetitia vai além, abre um horizonte novo e prático, justamente aí, para uma verdadeira ação pastoral que não aconteceu com aFamiliaris Consortio que, pra muitos de nós, ficou só na estante ou na gaveta. Um grande e novo horizonte se abre para o cultivo do amor familiar. Estamos só começando a conhecer.

Dom João Bosco, ofm
Bispo Diocesano de Osasco

http://dbosco.org

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