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Nossa Senhora Aparecida: 300 anos de bênçãos sobre o povo brasileiro

 

Em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas Águas do Rio Paraíba do Sul, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o Ano Nacional Mariano, celebrado de 12 de outubro de 2016 ao dia 11 de outubro de 2017. Um ano de agradecimento a Deus pelos três séculos de bênçãos derramadas sobre o povo brasileiro pelas mãos de Maria Santíssima, Rainha e padroeira do Brasil, mãos estas postas em oração, como na sua pequena imagem encontrada pelos três benditos pescadores.

Além de todas as merecidas comemorações, trata-se de um momento forte de evangelização, pois a Santíssima Virgem, a mulher missionária, é o símbolo da Igreja em saída, aquela que atravessa as montanhas para proclamar as maravilhas do Senhor. Como no Calvário de Jerusalém, em Aparecida, Deus, por misericórdia, ofereceu ao Brasil sua Mãe. A Mãe Aparecida nos direciona a seu divino Filho e nos diz: “Fazei tudo que Ele vos disser”. Aprendamos de Maria como ser verdadeiros discípulos de seu Filho, pois ela mesma é a primeira e a mais perfeita discípula de Jesus.

Ao longo do Ano Mariano, todos os meses o Bio trouxe uma matéria relacionada à Virgem Maria, a fim de que a conhecendo melhor, a amemos cada vez mais. A edição de outubro traz um caderno especial, em que será possível relembrar um pouco os textos trazidos ao longo deste ano jubilar: os principais momentos do Evangelho que destacam a presença de Maria durante a infância e a vida pública de Jesus, os dogmas marianos e sua missão na Igreja. Façamos como o discípulo amado e como os pescadores do Rio Paraíba que levaram Nossa Senhora para suas casas.

 

Nossa gratidão a Deus pelos 300 anos de bênçãos sobre o povo brasileiro

Deus em sua bondade infinita presenteou o povo brasileiro com o encontro da imagem de sua Santa Mãe, Nossa Senhora da Conceição, a Virgem Aparecida há trezentos anos. A pequena imagem emergida na rede dos pescadores foi levada para suas casas e desde esse dia, o número de fiéis só aumenta, pois os devotos vêem em Maria Santíssima, aquela que está mais próxima de Jesus, seu Divino Filho. O Bio trouxe todos os meses, durante o Ano Mariano, temas que pretendiam que a Santíssima Virgem fosse ainda mais conhecida e mais amada e seguindo o seu sublime exemplo, também nós fossemos melhores discípulos de Jesus. Nesta edição, encerramos com a síntese dos principais assuntos apresentados.

Na Sagrada Escritura, através da análise de alguns textos, destaca-se algumas características da Virgem Maria, como modelo para os discípulos, tais como: sob o contexto da Nova Aliança, Maria responde livremente a Deus e abandona-se completamente aos seus desígnios, apresentando colaboração total com o plano salvífico de Deus, uma fé plena – ativa e obediente – nos desígnios do Senhor, caridade, disposição a missionariedade, alegria, humildade, simplicidade, fidelidade, resignação. Maria vive de forma modesta e humilde, não se preocupa com honrarias, vantagens ou privilégios, mas busca fazer a vontade de Deus. Manifesta a preciosidade de sua vida, vivendo por amor de Cristo e seus irmãos.

O verdadeiro discípulo de Jesus ouve a Palavra, conserva-a e produz frutos pela perseverança (cf. Lc 8,15). Maria é a mais perfeita discípula de Jesus. Ela escuta e acolhe o projeto de Deus, isso é evidente na Anunciação (cf. Lc 1,38). Maria Santíssima é a representante da humanidade e é chamada a dar o seu consentimento à Encarnação do Filho de Deus. Ao longo de sua vida, nem sempre entende os planos de Deus, porém guarda-os em seu coração (cf. Lc 2,19.51). Ela aprende com os fatos da vida, acolhe de maneira ativa a Palavra em seu coração, produzindo frutos na fé. Maria é exaltada não apenas por sua maternidade física, mas porque ouve a Palavra de Deus e a pratica – “Felizes antes são os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam” (Lc 11,28).

A Virgem Maria representa a comunidade cristã, aquela que tem a fé madura, que é perseverante mesmo nos momentos difíceis, tais como a paixão e morte de Jesus, ela é mãe da comunidade dos discípulos amados pelo Senhor. Maria, ao ser chamada de Mãe de todos os discípulos, é apresentada aos seres humanos com destaque através do amor e da fé da Igreja, sustenta a vida dos mesmos e os encoraja, inclusive no sofrimento, à confiança e esperança. Todos os discípulos são impulsionados pelo Espírito Santo a compreender profundamente o que havia sido dito a respeito de Nossa Senhora, a fim de avançarem no entendimento da sua missão, profundamente ligada ao mistério de Cristo.

Na Tradição da Igreja, através dos quatro dogmas marianos: Maternidade Divina, Virgindade Perpétua, Imaculada Conceição e Assunção, Maria demonstra que ao encarnar a Palavra de Deus, o discípulo é capaz de gerar a vida. Maria ensina os fiéis a viverem num caminho de pureza, reconhecendo o valor da castidade, conduzindo-os a um amor maior ao Senhor e aos irmãos. A Imaculada é para os cristãos um auxílio na resistência ao pecado e um incentivo a viverem como redimidos por Cristo. A Assunção destaca o poder de Cristo sobre a criação e declara o destino sobrenatural e a dignidade do corpo humano, chamado pelo Senhor a tornar-se instrumento de santidade e a participar na sua glória. Maria entrou na glória, porque ouviu o seu Filho. A exemplo de Maria, o cristão aprende a descobrir o valor do próprio corpo e a preservá-lo como templo de Deus, na expectativa da Ressurreição.

Maria é Mãe dos cristãos na fé e o seu perfil devocional deve ser cultivado de modo que a relação com ela deve estar viva, uma vez que ela está mais próxima de Jesus e também de nós. Nas aparições de Nossa Senhora, percebe-se a sua preocupação em direcionar o Povo de Deus ao seu Filho Jesus. Maria se compadece dos sofredores. Em Aparecida, Maria aparece de cor negra, em solidariedade com todos os sofredores da escravidão. O povo cristão vê em Maria a capacidade de comunicar a alegria originada da esperança, mesmo que em meio aos desafios da vida.

Maria possui um papel singular na obra da salvação. Há uma profunda relação entre Ela e a Igreja. Ela é membro supereminente e singular, todavia é também membro dessa Igreja. Maria supera sua dimensão histórica e abre-se a dimensão universal da humanidade. Maria é presença na Igreja, uma vez que desde o início da Igreja, na comunidade primitiva (cf. At 1,14), Maria anima os fiéis com sua presença e seu testemunho de vida. Maria ensina os seres humanos a viverem em comunhão e unidade (cf. At 1,14), promovendo a paz.

Maria é vista como a realização plena da nova humanidade, que responde ao chamado de Deus, tornando-se uma forma de esperança para todos os seres humanos. Maria exorta o seu povo a confiar plenamente em Deus, pois ela mesma vive a esperança em sua vida. Ela sempre conservou a esperança no cumprimento das promessas messiânicas de Jesus, mesmo nos momentos mais críticos de sua vida. Maria ensina a confiar e esperar em Deus, abandonando-se às promessas do Senhor. Ensina, também, a sair em missão em busca dos que sofrem por estarem longe do caminho proposto por seu Filho ou ainda aqueles que sofrem por dependerem de outros que ainda não acolheram o Evangelho, a Boa Nova de seu Filho Jesus.

“Ó Mãe, como Vós, Eu abraço minha missão. Em vossas mãos coloco minha vida e vamos Vós-Mãe e Eu-Filho caminhar juntos, crer juntos, lutar juntos, vencer juntos como sempre juntos caminhastes vosso Filho e Vós.” (Papa Francisco). Deus, pelas mãos de Nossa Senhora Aparecida, abençoe o seu povo que caminha sob o manto da Rainha e padroeira do Brasil.

 

Pe. Luiz Rogério Gemi.

Vigário Paroquial da Catedral Santo Antônio.

Fonte: BIO - Boletim Informativo de Osasco