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“NAQUELA MESMA HORA, VOLTARAM”

Foto: Setor Juventude - Diocese de Osasco

A paixão pela busca da verdade, a admiração diante da beleza do Senhor, a capacidade de partilhar e a alegria do anúncio ainda estão vivos nos corações de muitos jovens que hoje são membros vivos da Igreja. Todos os jovens, sem exceção, estão no coração de Deus e, portanto, também no coração da Igreja.

Estamos cientes de que não se trata somente de dar origem a novas atividades, tampouco queremos escrever “planos apostólicos expansionistas, meticulosos e bem traçados, típicos de generais derrotados” (EG, n. 96). Sabemos que, para que tenhamos credibilidade, devemos viver uma reforma da Igreja, que implica purificação do coração e mudanças de estilo de vida.

Desde o início do percurso preparatório, os jovens manifestam o desejo de estar envolvidos, de ser valorizados e percebidos como coprotagonista da vida e da missão da Igreja. O término dos trabalhos da assembleia e o documento que dela reúne os frutos não encerram o processo sinodal, mas dele se constituem como uma etapa. O estilo desses percursos eclesiais deve incluir a escuta fraterna e o diálogo intergeracional, com o objetivo de desenvolver orientações pastorais particularmente atentas aos jovens marginalizados e àqueles que têm pouco ou nenhum contato com as comunidades eclesiais.

A participação dos jovens ajudou a “despertar” a sinodalidade, que é uma “dimensão constitutiva da Igreja. […] Como diz São João Crisóstomo, ‘Igreja e Sínodo são sinônimos’, pois a Igreja nada mais é do que esse ‘caminhar juntos’ do Rebanho de Deus pelas sendas da história ao encontro de Cristo Senhor”. “Uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta, ciente de que escutar ‘é mais do que ouvir’. Uma característica deste estilo de Igreja é a valorização dos carismas que o Espírito concede segundo a vocação e o papel de cada um dos seus membros. Animados por esse espírito, podemos avançar rumo a uma Igreja participativa e corresponsável, capaz de valorizar a riqueza da variedade que a compõe; cabe aos pastores, acompanhar os processos de discernimento comunitário para interpretar os sinais dos tempos à luz da fé e sob a guia do Espírito.

A vida sinodal da Igreja é essencialmente orientada para a missão. Os jovens, abertos ao Espírito, podem ajudar a Igreja a realizar a passagem pascal da saída “do ‘eu’ individualisticamente entendido para o ‘nós’ eclesial, em que o ‘eu’, sendo revestido de Cristo” (Gl 2,20). Exatamente os jovens, que vivem diariamente em contato com outros jovens de outras confissões cristãs, religiões, crenças e culturas, que estimulam toda a comunidade cristã a viver o ecumenismo e o diálogo inter-religioso. Nenhuma vocação no seio da Igreja pode se colocar fora desse dinamismo comunitário de saída e de diálogo e, por isso, todos os esforços de acompanhamento são chamados a incluir essa perspectiva, dando uma atenção privilegiada aos demais pobres e vulneráveis.

É necessário despertar, em cada realidade local, a consciência de que somos povo de Deus, responsável pela encarnação do Evangelho em diferentes contextos e em cada situação cotidiana. Isso implica deixar a lógica da delegação. Não basta ter estruturas, se nelas não se desenvolvem relações autênticas. A paróquia está necessariamente envolvida nesse processo, assumindo a forma de uma comunidade mais gerativa, um ambiente a partir do qual a missão se irradia em prol dos últimos. Diversos sinais demonstram que a paróquia, em vários casos, não corresponde às necessidades espirituais dos homens de nosso tempo. A paróquia deve, portanto, ser repensada pastoralmente, em uma lógica de corresponsabilidade eclesial e de impulso missionário, desenvolvendo sinergias no território.

É importante que cada comunidade se questione se os estilos de vida e o uso das estruturas transmite aos jovens um testemunho legível do Evangelho. Muitos deles acham que nosso mundo eclesial é complexo demais para ser decifrado. Portanto, que nossa vida cotidiana, em todas as suas expressões, seja mais acessível. A proximidade efetiva, a partilha de espaços e atividades criam as condições para uma comunicação autêntica, livre de preconceitos. A harmonia, que é um dom do Espírito, não anula as diferenças, mas a elas se doa, gerando uma riqueza sinfônica. Esse encontro entre pessoas diferentes em uma única fé constitui a condição fundamental para a renovação pastoral de nossas comunidades. O efetivo nascimento de uma comunidade de muitos rostos incide também na inserção no território, na abertura ao tecido social e no encontro com as instituições civis.

O anúncio de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, deve ser um convite aos jovens para reconhecer os sinais do amor de Deus em suas vidas e descobrir a comunidade como um lugar de encontro com Cristo. Deve-se manter vivo o compromisso de oferecer itinerários que integram: uma consciência viva de Jesus Cristo e seu Evangelho, a capacidade de ler na fé a própria experiência e os acontecimentos da história, um acompanhamento na oração e na celebração da liturgia. Que os itinerários catequéticos mostrem a íntima conexão da fé com a experiência concreta de cada dia, com o mundo de sentimentos e vínculos, com as alegrias e decepções experimentadas no estudo e no trabalho.

A celebração eucarística é geradora da vida da comunidade e da sinodalidade da Igreja. É lugar de transmissão da fé e de formação para a missão; nela fica evidente que a comunidade vive pela graça e não pelo esforço de suas próprias mãos. Os jovens podem contribuir para a renovação do estilo das comunidades paroquiais e para a construção de uma comunidade fraterna próxima dos pobres. Muitas vezes, jovens sensíveis à dimensão da diakonia. Muitos estão ativamente envolvidos no voluntariado e nesse serviço encontram o caminho para o Senhor.

 

 

Seminarista Robison

Fonte: Boletim Informativo de Osasco