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Diocesanas, Notícias › 16/10/2018

Na crise do compromisso político

O segundo capítulo da exortação apostólica Evangelii Gaudium traz o título “na crise do compromisso comunitário”; uma concreção dessa crise se apresenta no compromisso político. Podemos falar de desinteresse pela política e pelos políticos e, em muitos casos, de repugnância. Sou capaz de compreender e, não raro, compartilho tal sentimento. Não é bom, porém, parar no desinteresse ou na repugnância. A política não nos deve ser alheia, justamente porque não o é. Alheio é o que é de outrem ou lhe diz respeito, na política não é assim: desde os recursos, passando pelos instrumentos, decisões, consequências, tudo nos diz respeito; tudo parte do povo e volta (com frequência, sem benefícios) para o povo. À semelhança dos atletas, o recuo, manifestado no desinteresse e na repugnância, pode servir para se tomar impulso e dar um salto.

Nos últimos anos, a Igreja vem convidando seu povo à participação política. É verdade que nem sempre se consegue deslindar as grandes ideias, nem sempre o geral se torna aplicável no específico, e o global acaba ficando aéreo, porque não se concretiza no local. O papel do leigo é também aqui imprescindível. Em 2017, dirigindo-se aos políticos da América Latina, o Papa Francisco disse: “é necessário que os leigos católicos não permaneçam indiferentes à vida pública nem fechados nos seus templos, nem sequer esperem as diretrizes e as recomendações eclesiais para lutar a favor da justiça e de formas de vida mais humana para todos”. Hoje temos meios que não tínhamos antes para participar mais efetivamente; estes meios devem ser mais buscados, e tal busca deve ser protegida e incentivada.

É preciso recordar que nenhum projeto político esgota o Evangelho de Jesus Cristo, daí a Igreja, por ser católica, não se identificar com um partido; o Evangelho é perene, os problemas e a busca de soluções variam no tempo e nos lugares. A alternância e a convivência dos vários projetos e propostas no poder podem ajudar ao longo dos anos na busca do bem comum de modo mais integral. A Igreja “não propõe sistemas ou programas econômicos e políticos, nem manifesta preferências por uns ou por outros, contanto que a dignidade da pessoa seja devidamente respeitada e promovida” (Solicitudo Rei Socialis, 41). A participação popular não acontece só na militância partidária, mas também nas iniciativas familiares, sociais, culturais e de outras ordens, que devem atuar no cenário da participação política (cf. GS 75). Partidos e ideias se sobressaíram e se sustentaram através de medo, mentiras e “meias verdades”. Quantos exemplos teríamos de discursos conforme a posição que se ocupa, de desejo de aplicação seletiva de leis, de relevos e omissões conforme conveniências. Quantas polarizações. Entre nós não deve ser assim. Sistemas, sínteses, preferências partidárias não são vinculantes. Vinculantes são o amor, que é a “via mestra da doutrina social da Igreja” (Caritas in Veritate, 2), e a verdade, que liberta (Jo 8, 32). Desse modo, “pela relevância pública do Evangelho e da fé e pelos efeitos perversos da injustiça, vale dizer, do pecado, a Igreja não pode ficar indiferente às vicissitudes sociais” (DSI 71). Conversemos mais sobre essas coisas e não só em épocas de eleição! O crime é organizado. E nós?

Pe. Alexandre Pessoa Garcia

Pároco da Paróquia São José Operário do Jd. D’Abril

Doutor em Teologia Fundamental

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