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Leigo: Uma reflexão pós Concílio Vaticano II

Foto: A Pastoral da Misericórdia realizou uma ação diocesana, no dia 29/04, na Praça Presidente Altino em Osasco. Foram atendidos 200 irmãos em situação de rua.

O que determina a eclesiologia pós-conciliar é esse resgate de modelo de Igreja de comunidades cristãs dos primeiros séculos. Não há categorias de cristãos, clérigos e leigos, mas uma só categoria: os batizados.

O grande propósito é evangelizar, levar a Boa Nova a todos os homens, em qualquer lugar e através de qualquer meio. Transformá-los a partir de dentro, e tornar-se uma nova e própria humanidade, a comunidade eleita.

A modernidade foi desenvolvendo o seu ciclo na sociedade e a Igreja teve que agir na sua contemporaneidade resgatando o protagonismo laical. O concílio Vaticano II situou o leigo na base comum da Igreja, como um sujeito coletivo sobre o qual se edificam todas as diferentes funções do Povo de Deus. A visão do leigo é a de protagonista, ou seja, sujeito na igreja e no mundo, movido pela Exortação Apostólica Christifideles laici (ChL).

É uma Igreja feita por fiéis e não somente uma Igreja que compõe fiéis. É uma comunhão de todo povo de Deus. A diferença é pautada na unidade, por ser uma Igreja estruturada, tendo uma pluralidade de ministérios e carismas. Está no mundo, e não sobre “ele”, e por isso deve estar em constante diálogo com o mundo atual.

A questão do leigo, portanto, foi bastante discutida pelos bispos durante o Concílio, tendo pela primeira vez um documento específico a respeito do assunto. Na Lumen Gentium, o concílio definiu os leigos de forma mais tipológicos do que teológica, e pelo nome leigo, compreendemos que são todos os cristãos. Os fiéis pelo batismo foram incorporados a Cristo, constituídos no povo de Deus como participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, pelo que exercem na sua parte da missão evangelizadora de todo povo Cristão na Igreja e no mundo. “A índole secular caracteriza especialmente os leigos…” (LG, 31a).

Percebe-se que a LG, 31 o leigo está relacionado ao clero e aos religiosos, como alguém sem cargo. Em contrapartida, há um aspecto positivo, isto é, um cristão é chamado leigo somente em comparação a outro cristão que tem função hierárquica, mas estão relacionados um com o outro.

“Aos leigos compete, por vocação própria, buscar o reino de Deus, ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo a vontade de Deus”. Podemos dizer que o leigo é parte da Igreja como “Povo de Deus”, que está presente e age nas mais variadas realidades do mundo e da vida humana. O Concílio também relacionou o leigo a quatro aspectos: ao Cristo, à Igreja, ao Mundo e à Missão.

O leigo, relacionado diretamente a Cristo, participa do ser e da ação de Jesus, pelo sacerdócio comum, celebra a presença de Deus na construção histórica, pela profecia, sendo anunciador do Reino de Deus e denuncia o que lhe é contrário, ou seja, o leigo participa do seu modo distintamente. Esse relacionamento com Cristo o integra no povo de Deus, sendo assim, torna-se Igreja.

Agir e viver no mundo significa que a missão de Cristo é algo a ser levada pelos leigos, juntamente com a hierarquia os leigos participam desta missão de forma diferente. Cada um deve participar, de acordo com seus próprios carismas.

A obra de Yves Congar (teólogo), tem uma grande repercussão no período posterior ao Concílio. Congar define o leigo procurando explicá-lo, com relação à hierarquia e com a vida monástica, relembrando que o leigo faz parte do povo de Deus, tendo o direito de participar na herança dos santos. “Os leigos são chamados ao mesmo fim que os clérigos ou monges, mas sua condição é de procurar e de obter esse fim sem fazer a economia do engajamento desse mundo, nas realidades da primeira criação”.

Em 1953, Congar fala sobre os leigos e é o primeiro a escrever um tratado sobre uma eclesiologia ministerial, por isso o Concílio resgata o pensamento dele sobre os leigos. Congar havia proposto uma saída de uma Igreja piramidal, em que o leigo era colocado como objeto, para uma eclesiologia de participação, ou seja, um leigo que seja protagonista. Segundo pensamento Congariano, era necessário partir de uma base de eclesiologia histórica. Já Philips, diz que a base histórica do pensamento de Congar está na Ação Católica, a grande herança que temos dela é o: ver, julgar e agir.

O leigo não é empregado, mas tem uma índole de santificação e missão, cuja base está na graça batismal. Há um apostolado a ser exercido, o apostolado tem uma gerência no mundo para ser sinal. Embora à primeira vista, os leigos tenham o mesmo grau de participação que os clérigos e os monges, também são conduzidos para as realidades celestes. Os leigos participam de todos os aspectos da vida da Igreja, mas de uma forma diferente da hierarquia. Assim, “o plano de Deus é realizado através de dois princípios: um hierárquico e outro comunitário”. Ambos, podem se dizer que estão unidos, e completam-se, pelo sacerdócio de Cristo e sua ação salvadora.

O aspecto positivo aparecerá depois que o Concílio, fizer as distinções e forem compreendidas dentro de uma perspectiva eclesiológica do povo de Deus e da existência cristã. Dessa forma, aparecerá explicitamente no CELAM a condição cristã pura e simples, onde o “ministério hierárquico não cria a comunidade, como quem está fora ou acima dela, mas é colocado nela pelo Senhor para suscitá-la e construí-la.”

Fonte: Seminarista Diego Medeiros