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Igreja em missão

Foto: Imagem Internet

 

Queridos leitores, nesta edição do BIO vamos dar continuidade a reflexão que iniciamos no mês anterior, no qual vimos que a Missão tem sua origem no seio da Trindade, sendo que foi querida pelo Pai, iniciada pelo Filho e opera até nossos dias pela obra do Espírito. Por sua vez, nestas breves linhas compreenderemos que a Igreja foi enviada por Cristo, e é essencialmente missionária.

Igreja enviada por Cristo

Nosso Senhor Jesus Cristo, no início de seu ministério chamou doze homens para estar com Ele, e vivendo a intimidade com o Mestre, fossem enviados para pregar a Boa Nova (cf. Mc 3,13). Deste modo, “foram os Apóstolos os germes do novo Israel e ao mesmo tempo origem da sagrada hierarquia. Depois que por Sua Morte e ressurreição completou em Si os mistérios de nossa salvação e da renovação universal, o Senhor obteve todo o poder no céu e na terra. Antes de ser assumido ao céu fundou Sua Igreja como Sacramento de Salvação” (AG 871).

Assim, como Jesus foi enviado pelo Pai, aprouve Cristo enviar os Apóstolos a todo Mundo, dando a seguinte ordem: “Ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei” (Mt 28,19s). Com isso, é no mandato de Jesus que se encontra o dever da Igreja de propagar a fé e a salvação de Cristo. “Obediente ao mandato de Cristo e movida pela graça e caridade do Espírito Santo, a Igreja cumpre sua missão quando em ato pleno se faz presente a todos os homens ou povos, a fim de levá-los à fé, à liberdade e à paz de Cristo, pelo exemplo da vida, pela pregação, pelos sacramentos e demais meios da graça. E assim se lhes abre um caminho desimpedido e seguro à plena participação do mistério de Cristo” (AG 871).

Ao falar sobre a Missão da Igreja, o Documento de Aparecida fala que a “Igreja deve cumprir sua missão seguindo os passos de Jesus e adotando suas atitudes (cf. Mt 9,35-36). Ele, sendo o Senhor, se fez servidor e obediente até à morte de Cruz (cf. Fl 2,8); sendo rico, escolheu ser pobre por nós (cf. 2 Cor 8,9), ensinando-nos o caminho de nossa vocação de discípulos e missionários. No Evangelho aprendemos a sublime lição de ser pobres seguindo a Jesus pobre (cf. Lc 6,20; 9,58), e a de anunciar o Evangelho da paz sem bolsa ou alforje, sem colocar nossa confiança no dinheiro nem  no poder deste mundo (cf. Lc 10,4 ss). Na generosidade dos missionários se manifesta a generosidade de Deus, na gratuidade dos apóstolos aparece a gratuidade do Evangelho” (DAp 31).

Razões e necessidade da atividade missionária 

 A razão principal para a atividade missionária está no próprio querer de Deus, pois Ele “quer que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade. Porque um é Deus, um também o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, que se entregou para redenção de todos” (1Tm 2,4-5). Além da razão sobrenatural, existe uma motivação pessoal, como diz o Documento de Aparecida: “Desejamos que a alegria que recebemos no encontro com Jesus Cristo, a quem reconhecemos como Filho de Deus encarnado e redentor, chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades; desejamos que a alegria da boa nova do Reino de Deus, de Jesus Cristo vencedor do pecado e da morte, chegue a todos que jazem à beira do caminho, pedindo esmola e compaixão” (DAp 29).

Os diáconos da Diocese de Osasco Rafael Santana e Dênis Mendes (da esquerda para direita) saem em Missão para Pemba no mês de abril.

Papa Bento XVI e a missão Ad Gentes 

Também hoje a missão ad gentes deve ser o horizonte constante e o paradigma de toda a atividade eclesial, porque a própria identidade da Igreja é constituída pela fé no Mistério de Deus, que se revelou em Cristo para nos dar a salvação, e pela missão de O testemunhar e anunciar ao mundo até ao seu regresso. Como São Paulo, devemos ser solícitos pelos que estão longe, por quantos ainda não conhecem Cristo nem experimentaram a paternidade de Deus, conscientes de que “a cooperação se alarga hoje para novas formas, não só no âmbito da ajuda econômica mas também no da participação direta” na evangelização (João Paulo II, Carta enc. Redemptoris missio, 82).

O anseio de anunciar Cristo impele-nos também a ler a história para nela vislumbrarmos os problemas, aspirações e esperanças da humanidade que Cristo deve sanar, purificar e colmatar com a sua presença. De fato, a sua Mensagem é sempre atual, penetra no próprio coração da história e é capaz de dar resposta às inquietações mais profundas de cada homem. Por isso a Igreja, em todos os seus componentes, deve estar ciente de que “os horizontes imensos da missão eclesial e a complexidade da situação presente requerem hoje modalidades renovadas para se poder comunicar eficazmente a Palavra de Deus” (Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Verbum Domini, 97). Isto exige, antes de mais nada, uma renovada adesão de fé pessoal e comunitária ao Evangelho de Jesus Cristo, “num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver”(Carta ap. Porta fidei, 8).

(Mensagem do Papa Bento XVI para do Dia Mundial das Missões 2012)

Fonte: Diácono Dênis Mendes