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Frei Galvão: inspirando paz e caridade há mais de 250 anos

Foto: Pascom Frei Galvão

 

“E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. (Mateus, 25,40)

Nada melhor que o clima Natalino para nos inspirarmos em pessoas que foram exemplos de caridade, bondade e doação ao próximo. Emergido do meio do povo, Frei Galvão – o 1º Santo brasileiro – foi assim: seguidor dos ensinamentos de Jesus, defensor dos pobres e não se calou frente às injustiças sociais de sua época. Natural de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, Santo Antônio de Santana Galvão nasceu em 1739 e foi canonizado em 2007, 185 anos após a sua morte.

Escolheu servir a Deus ainda muito jovem, aos 16 anos, tornando-se noviço. Ele queria ser jesuíta, mas as perseguições contra essa ordem religiosa – instaurada pelo português Marquês de Pombal – fez com que seguisse o conselho do pai e se tornasse franciscano, no Rio de Janeiro. Pombal acusava os jesuítas de apoiar os indígenas na resistência contra Portugal e, assim que pôde, os expulsou do país.

Escutando a voz de Deus

Frei Galvão foi muito dedicado em tudo o que fez. Brilhante estudante de ciências destacou-se na Construção Civil ainda na adolescência. Defensor da liberdade religiosa por toda a sua vida, entrou para a Academia Paulista de Letras, visto ser compositor de peças poéticas de cunho religioso e patriótico.

Após ser ordenado padre com apenas 23 anos, foi transferido para o Convento de São Francisco, em São Paulo. Em 1768 foi nomeado confessor, pregador e porteiro do convento – cargo muito relevante na época – recebendo o título de “Novo Esplendor do Convento”.

No ano seguinte, Frei Galvão tornou-se confessor no Recolhimento de Santa Teresa (de Ávila), em São Paulo. Lá, conheceu a Irmã Helena Maria, que dizia receber um pedido de Jesus: a fundação de um novo Recolhimento. Esse, então, tornou-se o seu maior feito e seguindo a vontade de Deus, construiu o Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz – mais conhecido como Mosteiro da Luz (tombado em todas as instâncias principais brasileiras e, também, pela UNESCO). Por isso, é reconhecido como Patrono da Construção Civil e recebeu o título de 1ª Arquiteto Brasileiro, concedido pelo CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo).

Devoção à Nossa Senhora

“Pos partum Virgo, Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis (Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós)”. Foi com esse Ofício da Santíssima Virgem, escrito em um pequeno papel, que Frei Galvão ajudou uma gestante, em vias de ter um parto complicado com risco de morte. Ela ingeriu a pequena pílula de oração e tanto ela quanto o seu bebê foram salvos.

Em outra ocasião, um jovem também ingeriu as pílulas feitas por Frei Galvão e foi salvo de cálculos na vesícula, que provocavam fortes dores na ocasião. Assim nasceram as pílulas milagrosas, que desde então são muito procuradas pelos seus devotos.

Na foto, Daniela com sua filha Clara, que completará 4 anos de idade. Arquivo Pessoal.

Testemunhos em Vargem Grande Paulista

Felizes são os que recorrem, em socorro às suas aflições, ao santo brasileiro. Em todas as partes do Brasil e do mundo são inúmeros os casos de cura. As pílulas milagrosas são entregues no Mosteiro da Luz, todos os dias. Também podem ser encontradas na cidade de Guaratinguetá, no Santuário Frei Galvão.

Com a distribuição das pílulas após a Santa Missa, todo dia 23 de outubro, a Paróquia Frei Galvão de Vargem Grande Paulista (pertencente à Diocese de Osasco) também soma centenas de milagres atribuídos ao seu padroeiro. Lara com 5 anos de idade é um deles. Ela foi curada de uma puberdade precoce após sua mãe ter feito a novena de Frei Galvão e sem qualquer intervenção médica. Maria José aos 75 anos, por sua vez, ingeriu as pílulas e foi curada de uma hérnia umbilical e de uma hemorragia intestinal. E no ano de 2012, Daniela teve o seu coração curado de uma arritmia cardíaca que já perdurava por 10 anos e pôde ter seu maior desejo realizado: ser mãe. “Clara já vai completar 4 anos e é uma bênção em nossas vidas. Devo a graça da maternidade a Nosso Senhor Jesus Cristo e a Nossa Senhora, por intercessão de Frei Galvão e do beato Frei Maria Eugênio do Menino Jesus”, contou Daniela.

E é de se notar que Frei Galvão sempre teve um apreço especial pelas gestantes. O primeiro milagre do santo, reconhecido para o processo de canonização, foi a cura de uma gestante que morava há quilômetros de distância, cujo marido tinha ido buscar socorro no Mosteiro da Luz. O franciscano atendeu-a em confissão, em sua casa na fazenda, e abençoou a água que ela bebeu. Seu marido, ao retornar, encontrou a gestante livre de todo o perigo e muito calma. Foi relatado pelo guardião do Mosteiro que o Frei não havia saído do Mosteiro naquela noite. Interrogado a respeito, ele respondeu: “Como se deu, não sei; mas a verdade é que naquela noite lá estive”.

A bilocação foi constante em sua vida, e ele se fazia presente em dois lugares ao mesmo tempo para cuidar de pessoas com enfermidades diversas. Homem de intensa oração, tinha outros dons sobrenaturais como a telepatia, telepercepção, clarividência e levitação.

Vindo a falecer poucos meses após a Independência do Brasil e a apenas 1 dia da véspera do Natal de 1822, Frei Galvão parou São Paulo. Centenas de pessoas queriam se despedir dele no Mosteiro da Luz, onde se encontra sepultado. Desejosos de ter uma relíquia sua, cortaram suas vestes até a altura dos joelhos, enquanto outros levavam embora as pedras de sua lápide.

Inspirados pela vida e obra de Frei Galvão, enfim, sejamos como ele: caridosos, defensores da Imaculada e cheios do Espírito Santo!

 “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu Vos adoro, louvo e Vos dou graças pelos benefícios que me fizestes. Peço-Vos, por tudo que fez e sofreu o Santo Antônio de Santana Galvão, que aumenteis em mim a fé, a esperança e a caridade, e Vos digneis conceder-me a graça que ardentemente almejo. Amém.”

Fonte: BIO - Boletim Informativo de Osasco