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Diocesanas, Notícias › 07/07/2017

Formação: ‘As Virtudes Evangélicas, a pobreza’

 

Nas próximas edições refletiremos sobre a importância das virtudes evangélicas, necessárias a todos nós, mas de modo especial, na vida dos seminaristas e presbíteros, que por amor a Deus consagraram a sua vida ao serviço da Santa Igreja e dos irmãos. A primeira virtude que apresentamos é a ‘Virtude da Pobreza’.

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3).

O Reino de Deus pertence aos pobres em espírito. Para o cristão, viver a pobreza é ser disponível para acolher a proposta do Evangelho. Quando, pois, se desapega das coisas do mundo, apega-se às coisas eternas. A pobreza de espírito expressa a liberdade do discípulo de Cristo ao amor, que na humildade reconhece a ação de Deus em sua vida e tem a feliz confiança na Providência Divina.

Um dos aspectos a se seguir de Jesus, é a pobreza. Tanto a material quanto a espiritual. “Jesus ordena a seus discípulos que O prefiram a tudo e a todos e lhes propõem que ‘renunciem a todos os bens’ por causa dele e do Evangelho. O preceito do desprendimento das riquezas é obrigatório para se entrar no Reino dos céus.”

Isso fica mais claramente revelado quando, pois, Ele narra as Bem-Aventuranças, revelando a pobreza como um dos critérios para alcançar lugar junto do Pai: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” Mas Cristo não ordenou apenas como agir ou como fazer diante dos problemas, mas Ele próprio deu o exemplo “Jesus começou a fazer e a ensinar.”

Seus ensinamentos vêm desde cedo, quando “Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre; as primeiras testemunhas do evento são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do céu”. Por causa disso, o sacerdote tem de passar por esta condição para se aproximar mais ainda da vida do seu Mestre.

Abraçar essa pobreza passa a ser um abraçar o próprio Cristo com maior proximidade, entendendo seus sofrimentos e o motivo real de ter vindo ao mundo. Mas, infelizmente no mundo atual, as finanças e o dinheiro transformaram-se em algo que as pessoas usam para fazer tudo. Foi esquecida a prioridade de ser alguém nesta vida e garantir a salvação, mas preferiu-se o ter, gastar e possuir o máximo possível.

Alguns pontos são importantes para conseguir viver esta pobreza pelo Senhor: não possuir coisas supérfluas, devida uma grande confiança em Deus; não preocupar-se excessivamente com o futuro, mas com o agora, e, com isso, buscar a salvação hoje e não deixar para amanhã; não reclamar da falta de algo necessário, mas em tudo agradecer ao Senhor como diz São Paulo; e, por fim, amar tudo aquilo que surja devido à pobreza. Um dos maiores exemplos dessa vida desprendida é São Francisco de Assis. Conta-se em uma de suas conversas com Deus, ter ouvido do Senhor que “Todas as coisas que os teus sentidos amaram e desejaram é preciso que os desprezes e detestes se quiseres reconhecer a minha vontade.”

Não nos queixarmos quando faltar o necessário

Muitas vezes as pessoas se queixam da falta de determinados bens necessários, priorizando o supérfluo e muitas vezes não se dão conta, quanto mal isso faz para às suas vidas: a falta de alegria, de liberdade, de paz, de serenidade. As pessoas de hoje esqueceram o sentido dos pequenos sofrimentos, dos pequenos sacrifícios, do espírito de pobreza evangélica, pois tudo isso hoje em um mundo secularizado, tornou-se banal. A nossa sociedade é uma sociedade do imediatismo, que não sabe esperar, é uma sociedade hedonista, que busca o prazer próprio, e que assim procedendo não encontra sentido nos sacrifícios por amor a Deus e não enxerga as necessidades do próximo.

Algumas pessoas de hoje são ingratas, pois não sabem agradecer o pouco que tem; vivem a vida inteira se lamentando daquilo que não possuem e que gostariam de possuir. Há uma cegueira na realidade de hoje em não conseguir olhar para o lado e enxergar que há muitas pessoas sofrendo coisas piores que nós. Precisamos ser curados desta cegueira e da ingratidão que nos impede de enxergar os sofrimentos do próximo e da gratidão que devemos ter para com Deus por aquilo que temos: vida, saúde, o alimento, um teto para morar, a nossa fé, etc.

 

Amar as consequências da pobreza

Trazendo um pouco mais para o contexto do seminário, certamente, muitos de nós antes de entrarmos para esta realidade tínhamos um trabalho formal, recebíamos um bom salário, éramos independentes, e hoje já não contamos com as mesmas coisas: a ajuda de custo é menor, somos dependentes dos outros, a família e os amigos estão mais distantes. Diante de tudo o que renunciamos e abraçamos, é preciso que se ponha o tempero do amor, só por amor conseguiremos abraçar a santa pobreza e vivê-la, e saber que ela se faz presente nas inconveniências da vida, e que a partir disto ela nos pede uma resposta.

O presbítero que renunciou a tudo e se consagrou a Deus, deve se lembrar que mesmo não fazendo voto de pobreza (presbítero diocesano) ele é chamado a ter um coração desprendido e generoso, um coração preso aos bens não é um coração livre para amar e servir aos irmãos. Muitas vezes as condições da paróquia vão exigir mais modéstia e simplicidade; se o presbítero não trabalhou isso nos seus anos de seminarista, principalmente na pastoral, terá grandes dificuldades no seu ministério em oferecer a testemunho de comunhão e fraternidade.

 

CONCLUSÃO

Por fim, quando pensamos no pobre, imaginamos aqueles que passam por necessidades materiais básicas. Mas a pior pobreza é uma vida que definha na oração e na vida sacramental. É importante, claro, dar uma atenção especial aos pobres e ter um coração agradecido, principalmente por tudo aquilo que surge a partir do confronto com a pobreza.

A nossa vida não deve ser privada do encontro com os mais pobres, mas precisa ter a sua disponibilidade para cumprir os seus próprios deveres que ajudam na santificação de toda a Igreja. Porém, para que sejamos verdadeiramente um sinal vivo de Cristo santificador, é preciso desapegar-nos das riquezas do mundo e ter uma vida simples e humilde. Humildade essa que vem de um encontro pessoal com Cristo e que nos faz confiar na Divina Providência, sem demasiada preocupação com o futuro, mas reconhecendo que é Deus quem nos sustenta.

Seminaristas:
Juliano Pires – 1º ano da Teologia
Marcos Letty – 2º ano da Filosofia
Robison Fernandes – 1º ano da Teologia
Vitor Kano – 2º ano da Filosofia

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