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Dízimo, um agradecimento a Deus

Foto: Imagem Internet

Deus ama quem dá com alegria (2Cor 9,7). Esta reflexão se encontra no coração do cristão que através da sua experiência com o Cristo se faz generoso e consciente da sua missão de ir e anunciar sendo testemunha da Boa Nova. Assim, a missão deve vir acompanhada de otimismo, motivação, pertença e de esperança no crescimento do outro.

Contribuir com o seu dízimo para a sua comunidade, é um gesto concreto de amor, de evangelização para o crescimento do Reino de Deus. Porém seu dízimo não é condição salvífica, mas é ato do batizado que vive em comunhão e retribuiu, sentindo-se corresponsável pela sua igreja e fortalecendo-se na fé.

Ser dizimista é sustentar essa evangelização, tornar claro o compromisso moral do fiel com a Igreja e relacionar o amor fraterno pregado por Jesus Cristo. O dízimo nasce de uma decisão pessoal que exprime a pertença efetiva à Igreja, vivida em uma comunidade concreta.

Necessitamos conviver em comunidade, partilhar as necessidades comuns, juntos vivemos a solidariedade em comum com os demais, e nos tornamos muito íntimos de Deus de onde nasce a compreensão de ser discípulo para juntos “ajudarem com seus bens” (Lc 8,1-3). Jesus também narra o exemplo da viúva pobre, que ofereceu suas duas moedas, tudo o que tinha para viver (Mc 12,41-44).

Como prática cristã, o dízimo nos permite a vivência das virtudes teologais (1Cor 13,1-13) com a fé, a esperança e a caridade, permitindo-nos sair em busca do bem comum e da experiência que nos torna semelhantes a Deus, cujo amor para com seu povo é eterno e está relacionado com a misericórdia e a justiça.

O dízimo é uma forma concreta de manifestar a fé em Deus providente. A contribuição traz à vida cristã os elementos de uma caridade ativa. A pessoa se torna dizimista, porque tem fé em Deus e confia nas suas promessas (Rm 4,18-25 e 2Cor 1,19-20). Estabelecer a quantia com a qual deve contribuir está intimamente ligado à compreensão e a sensibilidade de cada um em sentir as necessidades da igreja e do próximo. O Apóstolo Paulo nos ensina que “cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois Deus ama quem dá com alegria” (2Cor 9,7).

O dízimo representa a aceitação madura e consciente dos dons que emanam de Deus e a disposição fiel de colaborar com seu projeto de felicidade para todos. É uma decisão consciente guiada pela Palavra de Deus, que necessita ser assumida de forma sistemática, isto é, estável, de modo permanente e periódico, pois a sua comunidade necessita e precisa contar com sua contribuição de forma regular, para suprir a cada mês os compromissos de evangelização, para o crescimento da catequese e da missão, pois o dízimo não é o fim, ele é o meio para se atender todas as necessidades para se evangelizar.

O documento 106 “O dízimo na comunidade de fé: orientações e propostas” que foi elaborado pela CNBB e lançado em 2016 traz no seu contexto um rico ensinamento, muito atual ao momento que vivemos. No centro das orientações, encontramos a novidade sobre as quatro dimensões do dízimo, assim apresentada no n.3:

A dimensão religiosa nos faz refletir sobre a gratidão profunda que experimentamos com aquele que tudo provem. A espiritualidade cristã cultivada na sua fé e na sua conversão. Assim o discípulo de Jesus passa pela experiência de partilhar seus bens materiais, de forma generosa, como o exemplo de cristão rico apresentado em 1Tm 6,17-19.

A dimensão eclesial nos apresenta a maneira pela qual o fiel vive a sua pertença na comunidade. A maneira pela qual ele desenvolve a sua participação ativamente na paróquia como membro que testemunha sua fé, sabendo que a sua contribuição ofereceu condições de evangelização, contribuindo para as estruturas eclesiais no âmbito paroquial e diocesano, suprindo as necessidades de toda a Igreja.

O dízimo tem uma dimensão missionária, que permite a partilha de recursos para provisionar as necessidades. É a comunhão entre as paróquias de uma mesma Igreja particular. É com essa partilha que projetos do fundo eclesial são praticados no âmbito nacional e internacional, como por exemplo, a partilha e comunhão da Diocese de Osasco com a Diocese de Pemba em Moçambique.

Por fim, a dimensão caritativa do dízimo, se manifesta no cuidado em socorrer os necessitados da comunidade, isto é a caridade para com os pobres. Através de ações sociais, o dizimista participa ativamente com a sua contribuição e assim atende um preceito cristão. “A opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica” (Papa Bento XVI) e a caridade para com os pobres “é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão irrenunciável de sua própria essência” (Papa Francisco) n.32.

Concluindo este pequeno estudo sobre o documento 106 da CNBB, no âmbito da conscientização sobre o dízimo, podemos afirmar que aquele que realiza a experiência de amor e caridade se torna um dizimista alegre, generoso e consciente, partilhando o seu amor com o próximo.

Ariovaldo Lunardi e Regina Lunardi – Teólogos e Coordenadores da Pastoral do Dízimo da Catedral de Santo Antônio

Fonte: BIO - Boletim Informativo de Osasco