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Diocese de Osasco

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Bispos, Clero, Diocesanas, Notícias › 06/11/2014

É tempo de ouvir a todos e caminhar juntos

 

“Uma Igreja atenta à Família”: esta foi a expressão do 7º Plano Diocesano de Pastoral, da Diocese de Osasco, que animou a reflexão dos agentes de todas as paróquias, reunidos no Ibaté, no início de outubro. Dar _MG_2555corpo e expressão concreta a uma Pastoral Familiar Diocesana, foi o objetivo de duas assembleias, uma realizada no mês de maio, onde muitas ideias foram apresentadas, e outra agora para articular as ações e as forças existentes, dando-lhes uma dimensão mais abrangente e realmente diocesana. O tema da Família se enriqueceu durante este ano com a caminhada sinodal proposta pelo Papa, que envolve uma reflexão corajosa, lúcida, e uma tomada de posição vigorosa de toda a Igreja. De fato, no dia em que nos encontramos na Assembleia diocesana do Ibaté, os bispos representantes de todas as conferências episcopais, peritos em direito canônico, casais dos movimentos familiares, especialistas em família, chegavam de todo o mundo a Roma, para dar início, junto com o Papa Francisco, ao III Sínodo Extraordinário, de 5 a 19 de outubro, com o tema “Os Desafios Pastorais da Família no Contexto da Evangelização”. O caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco só irá terminar com o XIV Sínodo Ordinário, de 4 a 25 de outubro do próximo ano, e o tema já foi definido pelo Papa: “A vocação e a missão da Família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Razão pela qual, em nossa Diocese de Osasco, ao dar encaminhamento às propostas de nossa assembleia local, precisamos nos manter antenados com todo esse horizonte de novas perspectivas, que está começando a iluminar o tema.

Sem pressa, mas com urgência

O 7º Plano Diocesano está a se encerrar em 2015. Isso poderia sugerir que a prioridade “Família”, tratada este ano, ficou relegada ao final do período de vigência, por ser menos importante que os temas tratados anteriormente, como a missão permanente, ou a iniciação à vida cristã. Poderia ainda haver alguma preocupação de que, terminando o sétimo plano, virá o oitavo, e os temas desta edição serão naturalmente substituídos por outros. Ainda mais que temos bispo novo, papa novo e o passado fica passado. Quero deixar bem claro que não é assim. Com toda a explosão de novidades representada pelo Papa Francisco, o que se vê, da parte dele, é uma fidelidade e um aprofundamento, muito responsável e corajoso, das trilhas abertas pelo Vaticano II. E nós bispos, na Igreja do Brasil, não propomos outra coisa em nosso planejamento pastoral, senão a coragem de ir fundo no trabalho que vem sendo realizado, dando continuidade aos passos anteriores. As prioridades assumidas no 7º Plano são sementes duradouras, e o tema da Família vai perpassar os próximos anos, sendo aprofundado sem pressa, porém com urgência.

 

Os ecos do Sínodo

Ficamos um pouco atordoados com as notícias que vão chegando das discussões do Sínodo. Como sempre, os meios de comunicação escolhem os seus temas preferenciais e pode ficar a ideia de que só se fala, no Sínodo, sobre homossexuais, comunhão aos divorciados, e alguns comentaristas alegres já emendam ser possível que a Igreja agora aceite discutir o casamento dos padres e a ordenação de mulheres. Com pânico de uns, que ficam horrorizados com esses assuntos, e euforia de outros que acham que a Igreja finalmente está saindo da Idade Média. Dá a impressão que os participantes do Sínodo estão em pé de guerra, para virar a doutrina no avesso. Pura mentira: há consenso sobre os pontos fundamentais da doutrina. Os fanáticos da ideologia de gênero só conseguem atrapalhar e impedir que os fiéis abram um espaço fraterno de acolhida também para aqueles que não estão de acordo com a doutrina da Igreja. Quando, enfim, fica claro que a doutrina não mudou, passam a dizer que os “conservadores” venceram. Não lhes interessa a verdade do evangelho nem querem qualquer diálogo. Plantam discórdia onde não existe, para colher os objetivos que desejam.

 

Não muda a doutrina, mudam as atitudes

Desde o início de seu pontificado, o Papa Francisco tem surpreendido o mundo com uma liberdade muito grande de tratar de todos os assuntos, mesmos os mais polêmicos e espinhosos, com coragem e coerência. Em nenhum momento ele sugeriu que a Igreja mudasse uma virgula das questões doutrinárias e das verdades da fé. Abriu um sorriso franco para acolher qualquer pessoa, quebrando preconceitos e protocolos. Mas soube também travar o pé, dizendo um redondo “não” a crimes como o aborto, a corrupção, ou à violência das guerras e o extermínio de minorias, inclusive de cristãos.

Aos participantes do Sínodo, ele pediu que discutissem com liberdade todos os temas, sem medo. Deixar alguns assuntos de lado, porque geram polêmica, pode ser uma medida cômoda e segura por um tempo, porém só alimenta as eternas divergências. O que o Papa propõe, me parece sábio: ouvir a todos, e depois caminhar em comunhão. Propõe acolher a todos com caridade, esta é a atitude nova, porém deixando claros os fundamentos da doutrina e do caminho proposto pela Igreja. E quer que tenhamos paciência com certos problemas que são profundos, propondo uma gradualidade na solução, sem exclusões e sem condenações, reafirmando as palavras do Evangelho.

 

O Sínodo e a Pastoral Familiar

Não há duvida de que essa nova atitude da Igreja diante da realidade das famílias, fomentada pelo Sínodo Extraordinário, deve alimentar a esperança de nossas famílias. E, uma vez que a Diocese de Osasco, em sua assembleia de outubro, detalhou caminhos para ser uma “Igreja atenta à Família” penso que alguns “marcos” devam ser refletidos e decididos em nossos conselhos paroquiais e regionais, nos movimentos familiares e entre os fiéis leigos em todas as nossa igreja:

  1. Vamos difundir entre todos os fiéis o princípio de que a Pastoral Familiar não é apenas um grupo encarregado dos assuntos de família, nem se restringe aos movimentos de casais e serviços ligados à família. A Pastoral Familiar diz respeito à vida de todos e envolve a todos os segmentos da vida eclesial. Todos os grupos devem estar envolvidos com ela. Por isso a Paróquia deve convidar para a coordenação dessa Pastoral pessoas que estão bem integradas com a comunidade, mesmo que para isso tenham que deixar outros encargos e serviços. O mesmo vale para as Regiões Pastorais, ao escolher os que farão parte da coordenação diocesana,regional, e assessores eclesiásticos regionais.
  2. Cuidem pessoalmente os coordenadores regionais de que nas paróquias haja ao menos dois representantes da Pastoral Familiar, que possam participar das formações e atividades propostas. Estes deverão agir sempre em diálogo e interação com os demais grupos de pastoral, com as associações, movimentos e serviços, em estreito contato com o párocos, com os coordenadores das regiões e com o Bispo.
  3. A equipe diocesana da Pastoral Familiar deverá propor momentos de formação e reflexão acerca do projeto diocesano, acrescentando os resultados do Sínodo Extraordinário e da caminhada posterior. O estudo do Diretório da Pastoral Familiar da CNBB, do Documento 100, nos pontos referentes à Família, dos subsídios como a “Hora da Família” e a “Hora da Vida” e outros, deverá ser feito de modo que seu conteúdo chegue a todos, desde as coordenações, os movimentos, associações, pastorais e todos os interessados.
  4. Os Movimentos ligados aos casais e às famílias, para além de suas atividades próprias de sua espiritualidade e atividades internas, juntem-se aos irmãos de outros movimentos e participem dos projetos paroquiais e diocesanos de Pastoral Familiar. É hora de unir, de sair, diz o Papa Francisco, de evitar os isolamentos e formar uma só família, a serviço da vida.
  5. Por falar em vida, a Bioética é um nome difícil, parece coisa de profissionais e especialistas e, em certo sentido até é mesmo. Mas seus desdobramentos, no que diz respeito à cultura da morte, são muito próximos de nós. Entre o crime do aborto e a cômoda solução da eutanásia estão as mortes da dependência química, do preconceito, do abuso sexual, da desconstrução de gênero, da violência doméstica, do tráfico humano e outros dramas. Conhecer não só os fenômenos, mas também os fundamentos, apostar na informação correta e na consciência, é o caminho necessário da Pastoral Familiar.
  6. Alguns projetos da Pastoral Familiar já foram apresentados na Assembleia diocesana. A nova equipe diocesana irá melhor delineá-los para que se tornem prática comum em todas as paróquias, com urgência. Outros irão surgindo no decorrer do caminho.
  7. O Sínodo Extraordinário tratou de inúmeras situações muito presentes em nosso meio. O debate suscitado deve progredir até outubro do próximo ano, gerando novas experiências, reflexões e maturações. Caberá à coordenação do Setor Família examinar cada proposta, trazendo à realidade da Diocese as orientações desse encontro.
  8. Um calendário diocesano do Setor Família, contemplando as datas ligadas à Família, não só a Semana Nacional da Família e a Semana Nacional da Vida, mas o dia dos Pais, das mães, dos Avós, o dia dos Namorados, da Juventude, e outros, com subsídios adequados, terá grande importância no envolvimento de toda a comunidade diocesana.
  9. O Sínodo retomou a expressão, do Santo Papa João Paulo II, de que a Paróquia é a “família das famílias”. Uma paróquia realiza sua missão quando se faz “próxima das famílias” (Evangelii Gaudium, 28), encontrando formas criativas e corajosas de estar ao lado das famílias em situação de risco e abandono. A Pastoral Familiar, organizando ações que envolvem todos os paroquianos, terá como metas privilegiadas chegar missionariamente a todos esses irmãos.
  10. Por último, gostaria de lembrar que a nossa preocupação com a Família não deve se restringir aos ambientes da Igreja. Deve a nossa ação e comoção chegar à sociedade, por todas as vias. O que fazer para o Evangelho da Família chegar a todos? Jesus falou que devíamos gritar do alto dos telhados. Estaria eu exagerando se recomendasse que, além dos nossos avisos paroquiais, dos blogs e sites, usássemos também a grande imprensa, outdoors, manifestações de rua ou eventos de praça e ginásio? Certo que não, pois a causa da Família bem o merece.

 

Meus caros, o Papa Francisco diz que prefere uma Igreja que sai às ruas, e corre o risco de se acidentar. Isso é melhor do que a Igreja que fica em casa, segura, porém, doente. Fala que temos de agir com urgência, como se a Igreja fosse um hospital de guerra, que procura tratar dos feridos. São comparações que servem bem para o Setor Família, onde há muitos feridos. Eu não apresentei nesses dez pontos nenhuma receita pronta. Mas espero que sejam sementes que possam germinar e dar fruto.

 

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de Osasco

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