Highslide for Wordpress Plugin

Dia Mundial dos Pobres

Foto: Internet

 

O Papa Francisco aponta o caminho para chegarmos ao coração do Evangelho

Ao encerrar o Ano da Misericórdia, o Papa Francisco instituiu, como fruto concreto desse Ano Santo, o Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado pela primeira vez no próximo dia 19 de novembro que é o domingo que antecede a Festa de Jesus Cristo Rei do Universo. Para esta celebração ele convoca toda a Igreja, lembrando que os pobres sempre foram privilegiados do amor de Cristo, e que também na Igreja, desde o primeiro momento, os pobres foram amados, com amor preferencial, a exemplo de Cristo. O Papa Francisco escreve, para esta primeira vez em que se celebra a data, uma mensagem que toca o coração dos fiéis cristãos, pedindo não somente que se reflita sobre isso, mas que se façam gestos públicos e concretos de efetivo amor preferencial pelos mais carentes. O lema escolhido para este dia não poderia ser mais significativo, tirado da 1ª Carta de João (3,18): “Não amemos com palavras, mas com obras”.

Nada mais coerente com a pregação do Papa Francisco esta iniciativa. Desde o início do seu pontificado ele repetiu “Quero uma Igreja pobre, voltada para os pobres”. Uma Igreja não centrada em si mesma, mas em saída “rumo às periferias existenciais”. Instituiu no Vaticano a mesa dos pobres, e também serviços básicos de higiene e barbearia, para servi-los. Não poucas vezes desafiou a segurança e saiu a noite, para as periferias de Roma, para encontrá-los. E não se trata de ganhar simpatia com gestos de “marketing” de ocasião. É sincero, corajoso e profético o seu pedido: “Se alguém pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo”.

“Bem aventurados os pobres” – Desde o princípio da Igreja, a preocupação com os pobres esteve presente. Vemos isso quando os primeiros cristãos instituíram a coleta, na missa, que não era para construir igrejas, mas tinha a finalidade de partilhar os bens com os pobres.  Depois os apóstolos escolheram sete homens de bem para cuidarem especialmente do serviço aos pobres. Nos Atos dos Apóstolos já encontramos esta expressão: “Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro de acordo com as necessidades de cada um”. O Papa Francisco lembra que nestes dois mil anos da fé cristã, muitos homens e mulheres santos, em todo o mundo, escolheram o caminho da pobreza, para partilhar a vida com os mais necessitados, entre ele o Papa cita São Francisco de Assis como um exemplo luminoso. Poderia ter citado exemplos mais atuais como o de Madre Tereza de Calcutá, ou as nossas Irmã Dulce e Nhá Chica.

Os pobres nos ensinam – Não pensemos que os pobres sejam apenas “destinatários de uma boa obra de voluntariado” ou de alguma caridade ocasional, diz o Papa. Se olharmos para eles com verdadeiro amor, antes de receber nossa ajuda, eles estarão nos oferecendo algo de muito precioso: eles nos remetem ao coração do Evangelho. Ensinam-nos que não vale a pena acumular riquezas. Ensinam-nos a não desperdiçar, a não consumir com destrutiva ganância os bens deste mundo. Ensinam-nos a sobriedade e a simplicidade de vida. Ensinam-nos a não dar espaço para a corrupção, para a posse desonesta e violenta, ensinam-nos a contentar-nos com pouco e viver só com o essencial. Ensinam-nos a vencer o egoísmo sombrio e buscar a luminosa alegria da generosidade. Quando nos aproximamos de quem sofre, tocamos a carne de Cristo sofredor. Encontramos o Deus que nós buscamos. Experimentamos o amor que nos restaura e santifica.

Uma semana dedicada aos pobres – O Papa pede que o Dia Mundial dos Pobres seja precedido de uma semana, portanto de 12 a 18 de novembro, em que todas as comunidades eclesiais se empenhem em preparar “momentos de encontro e de amizade, de solidariedade e de ajuda concreta aos pobres”. O que o Papa Francisco quer não é apenas um dia, ou mesmo uma semana. Quer uma nova atitude perante o pobre. Não é sem razão, pois vemos a situação dos pobres se agravar mais e mais. As sucessivas crises econômicas recentes não foram mero acidente. São o resultado de uma estratégia de retomar as rédeas de um aperto econômico que, nos últimos anos deu alguma folga aos pobres. O que vemos hoje – isso é nítido em nosso país – é uma “reforma” que atinge o trabalho, a previdência, a assistência social, a saúde, sempre em prejuízo dos pobres. Direitos que foram construídos durante décadas, em pouco tempo viram pó, com a aprovação de um poder legislativo que troca favores pessoais por apoio ao governo. Em nome da “governabilidade” se nega aos pobres a saúde, o alimento e assistência social, quando imensas somas são subtraídas das empresas estatais, ou se transformam em propinas encontradas em malas ou armazenadas em paraísos fiscais. Sim, preciso de novo aprender a respeitar o direito dos pobres. Uma semana será pouco para isso, mas é um bom começo.

Seguir Jesus Cristo pobre – A preocupação do papa, e também a da Igreja, não é sociológica. É cristológica. Ele afirma: “Para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação a seguir Cristo pobre. É um caminhar atrás d’Ele e com Ele. É um caminhar que conduz à bem-aventurança do Reino dos céus”. Francisco de Assis não escolheu a pobreza por achá-la em si mesma um valor. Escolheu-a por contemplar Cristo pobre. E por entender que assim teria como imitá-lo e ser fraterno com os pobres, servindo a Cristo, neles. Esta semana nos deve fazer entender que a simplicidade de vida, aliada à generosidade da partilha, é uma dimensão essencial de toda a vida cristã. É frequente nas nossas comunidades o pensamento de que a caridade é delegada a um pequeno grupo sem que os outros nem saibam o que é feito por eles. Dificilmente vemos atitudes conscientes como, por exemplo, destinar uma parte do dízimo recolhido para sustentar uma ação solidária, ou manter um projeto social de relevo. Deveria ser a norma.

Gostaria de recomendar a todos a leitura e meditação da mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial dos Pobres, que pode ser encontrada facilmente, em português, no portal do Vaticano. Temos um mês pela frente, se quisermos, atendendo ao apelo de Francisco, promover esta semana, reforçar as nossas obras sociais, praticar gestos corajosos de generosidade, de convivência e partilha. No Ano da Misericórdia nos colocamos um desafio: que cada paróquia inaugurasse uma significativa obra de misericórdia mais duradoura. Isso aconteceu? A semana e o Dia Mundial dos Pobres é uma boa ocasião para fazer ou refazer e aprofundar esse vínculo com Cristo vivo, expresso no amor aos pobres.

 

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de Osasco

Fonte: BIO - Boletim Informativo de Osasco