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Ano do Laicato: leigos, no seio da Igreja!

Foto: Solenidade de Cristo Rei, 26 de novembro de 2017.

 

Entendendo o laicato a partir da identidade, ministério e santidade faz perceber o processo, o batismo dá a incorporação do ponto de vista de sua participação. Essa participação está inserida no corpo eclesial! É uma incorporação em Cristo. Somos ligados a Ele pelo batismo, isto é, participamos do múnus de Cristo.

O cristão leigo participa do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, o seu apostolado é na própria missão salvífica da Igreja, assim a vocação laical vem de acordo à santidade pessoal e seu apostolado, partindo-se do seio da Igreja, fazendo-se aos leigos, a se comprometer a buscar o Reino de Deus, cuidando das coisas temporais e conduzindo-as a Deus (LG, 31).

Vamos entender o múnus batismal, e o apostolado como protagonismo e inserido na ação eclesial, somete compreendendo e vivendo um leigo esclarecido da sua vocação pode ser a luz que reflete do verdadeiro Sol “Cristo”. Pois bem, a Igreja é luz dos povos em Cristo. Cristo é sol da “justiça”, e a Igreja reflete a luz do verdadeiro sol. A Igreja só pode ser em Cristo como sacramento, isto é, “sinal”, “instrumento”, uma Igreja formada em uma sociedade em relação e consciente.

Os leigos participam do múnus sacerdotal de Cristo na qualidade do sacerdócio comum dos fiéis. Devido a essa participação, são inseridos na vida litúrgica da Igreja, em seu significado amplo e profundo, de modo que a liturgia é o lugar e a forma do exercício desse apostolado. Em virtude do sacerdócio comum dos fiéis, os leigos têm acesso a Deus desde sua condição secular.

A participação dos leigos no múnus sacerdotal de Cristo é um apostolado ativo, pois a finalidade da participação dos leigos no sacerdócio de Cristo é a santificação (Cf. CCC, § 901). A via de santificação não deve passar por meio de uma espiritualidade piramidal ou um apostolado clerical. Pelo contrário, o princípio da igualdade entre os batizados é o chamado universal à santidade. (Cf. CCC, § 903). A vida cotidiana dos leigos, sobretudo na vida familiar e no trabalho, deve buscar a união com Deus para poder ser reconhecida como lugar de culto e oferenda agradável a Deus.

Compreendendo a função sacerdotal, a missão profética dos leigos é situá-la no conjunto da tradição cristã como determina a Lumen Gentium. Segundo a tradição cristã, o profeta é fundamentalmente uma pessoa enviada por Deus para comunicar os seus desígnios sobre o ser humano e o mundo, de modo que, sua mensagem comporte um conhecimento “divino”, fundamentado na Revelação de Deus, acerca do destino do homem e do mundo (LG, 35c). A mensagem do Reino de Deus é uma realidade performativa, uma vez que comporta não somente um conhecimento sobre o destino do homem e do mundo, mas, simultaneamente, a realização parcial e definitiva da mensagem anunciada.

A afirmação de que todos os membros da Igreja participam, a seu modo, da missão profética significa que todos são portadores da mensagem do Reino de Deus, revelado por Jesus Cristo, e responsáveis pelo anúncio dessa mensagem, isto é, pela Evangelização (DV, 14).

A participação dos leigos na missão profética de Cristo consiste em três pontos fundamentais: O testemunho da fé: os leigos são constituídos como testemunhas de Jesus Cristo; O sentido da fé: o Concílio afirma que todos os cristãos, inclusive os leigos, recebem de Cristo a razão da fé, e os Dons/carismas: os leigos recebem de Cristo, pelo Espírito Santo (Cf. LG, 4).

A participação dos leigos na missão régia pressupõe duas noções: a primeira consiste na existência de um Reino de Deus, numa perspectiva escatológica, a realidade desde a criação até a parusia (1 Cor 15, 27-28). A segunda consiste na existência de um rei que é o próprio Verbo de Deus, encarnado na pessoa de Jesus de Nazaré que, por sua morte e ressurreição, entrou na glória de seu reinado (Fl 2, 8-11).

Dia de Espiritualidade Diocesana da Pastoral Familiar, 03 de fevereiro de 2018, na Paróquia São Francisco de Paula, em Alimínio.

A partir da figura do rei, Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, ocorre uma relação congênita entre o Reino de Deus e a Igreja, pois é parte do horizonte de uma única missão (LG, 3). Devido à sua natureza, a Igreja é o germe e o início do Reino de Deus, pois enquanto peregrina no mundo, pertence ao tempo do crescimento e da maturação do Reino de Deus, e aquilo que realiza já tem caráter definitivo.

Dados esses pressupostos sobre o Reino de Deus e a Igreja, a participação dos leigos na missão régia de Cristo consiste numa tarefa fundamental: o exercício é a libertação do mundo do pecado, para que os homens e a criação possam participar do Reino de Deus (LG, 33c).

Assim, concluímos que o leigo, em virtude dos dons que recebe pela sua missão, é ao mesmo tempo instrumento de testemunho vivo da própria missão eclesial “pela medida do dom de Cristo” (Ef 4,7). A mudança eclesiológica é ligada pelo Concílio Vaticano II para resgatar a categoria de Mistério. Nela consiste que a índole “seculares leigos” ordena o mundo conforme o desígnio divino e é concebida historicamente para a ação salvífica, de modo que possa dedicar-se ao crescimento das realidades do mundo e participar da missão salvífica de Cristo na Igreja.

Seminarista Diego Medeiros

Fonte: BIO - Boletim Informativo de Osasco