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Diocesanas, Notícias › 20/06/2016

Amoris laetitia: pontos positivos e favoráveis

 

O Pe. Dr. Carlos Eduardo, pároco da Paróquia São Pedro e São Paulo em Carapicuíba, nos traz uma reflexão sobre os pontos positivos e favoráveis da exortação do Papa Francisco. 

A exortação apostólica pós sinodal “Amoris Laetitia” (A alegria do amor), nos fala “sobre o amor na família”. Neste documento o Santo Padre, o Papa Francisco, recolhe os resultados de dois Sínodos convocados por ele, um extraordinário em 2014 sobre “Os desafios pastorais da família na nova evangelização”; e outro ordinário, em 2015, que tratou sobre “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Neste espaço, buscaremos trazer uma série com um pequeno estudo do documento, começando pelos seus pontos positivos e favoráveis, que enumeraremos a seguir.

 

  1. Significado pastoral de uma Exortação Apostólica. Na lista dos documentos pontifícios, uma Exortação Apostólica pós sinodal é um documento do Papa dirigido aos católicos de natureza mais pastoral. Pós sinodal, pois é promulgada depois de um Sínodo Ordinário dos bispos, em que o Santo Padre escreve orientando sobre o tema refletido. Este ponto será importante para entender o documento, e nos livrará da tentação de buscar “novidades doutrinais”, que a grande mídia aguardava. A doutrina da Igreja sobre o matrimônio permanece intacta!

 

  1. Riqueza do texto e divisão do documento. A Exortação está dividida em 9 capítulos, com 325 parágrafos; tem seu início com 7 pontos introdutórios que nos deixam claro a grandeza do tema e seu aprofundamento. A extensão do texto se dá justamente pela riqueza da caminhada de dois anos de reflexão durante o caminho sinodal, oferecendo diferentes estilos e variados temas. Pela própria riqueza do texto, o Santo Padre não aconselha uma leitura geral e apressada. “Poderá ser de maior proveito, tanto para as famílias como para os agentes de pastoral familiar, aprofundar pacientemente uma parte de cada vez ou procurar nela aquilo de que precisam em cada circunstância concreta. É provável, por exemplo, que os esposos se identifiquem mais com o quarto e quinto capítulo, que os agentes pastorais tenham especial interesse pelo capítulo sexto, e que todos se sintam muito interpelados pelo oitavo. Espero que cada um, por meio da leitura, se sinta chamado a cuidar com amor da vida das famílias, porque elas “não são um problema, são sobretudo uma oportunidade” (AL 7). Cada paróquia, movimento e pastoral deveria sentir-se desafiado a esta leitura e estudo mais atento e pausado dos capítulos desta Exortação.

 

  1. Um olhar positivo e de esperança sobre a família. O próprio nome da Exortação, Alegria do amor, nos mostra o caráter positivo da abordagem sobre as famílias. O próprio título relaciona-se com a Exortação  precedente, Evangelium Gaudium (Alegria do evangelho). “A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que encontraram Jesus” (EG 1). Esta alegria cristã é fruto do Espírito Santo e brota do encontro com Cristo Ressuscitado, uma Pessoa viva. Ser cristão, não é simplesmente uma adesão a ideias ou normas. Esta exortação e uma mensagem de fé, num tempo complexo para nossas famílias, um documento que traz esperança, a boa notícia a todos. No n.1 fala-se da família como júbilo para a Igreja, pois permanece vivo no coração das pessoas o seu desejo: “A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja. Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimônio – como foi observado pelos Padres sinodais – ‘o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isto incentiva a Igreja’. Como resposta a este anseio, ‘o anúncio cristão sobre a família é verdadeiramente uma boa notícia’ “. (AL 1)

 

  1. Percurso sinodal e continuidade dos documentos precedentes. Os padres sinodais, a pedido do Santo Padre, buscaram dar seu contributo com franqueza, mas sendo humildes no escutar. Tudo isto tendo em vista a suprema lei, a salus animarum, a salvação das almas, sem colocar em discussão as verdades fundamentais do matrimônio (unidade, indissolubilidade, fidelidade, procriação etc..). Amoris Laetitia tem sua raiz na reflexão ampla do episcopado, exprimindo uma eclesiologia de comunhão dando um testemunho eclesial eficaz na preocupação pela evangelização das famílias. A exortação também recolhe todo Magistério Pontifício precedente sobre a família. São citadas a Gaudium et spes do Vaticano II; a Casti Conubii de Pio XI; Humanae vitae de Paulo VI; a Exortação Familiaris Consortio e as Catequeses sobre a teologia do corpo de S. Joao Paulo II; Deus caritas est de Bento XVI.

 

  1. Crescer no amor. O documento insiste que só poderemos encorajar a um caminho de fidelidade e de recíproca doação, estimulando o crescimento e o aprofundamento do amor conjugal (cf. AL 89). “Esta forma muito particular de amor, que é o matrimónio, é chamada a um amadurecimento constante. O amor que não cresce, começa a correr perigo; e só podemos crescer correspondendo à graça divina com mais atos de amor, com atos de carinho mais frequentes, mais intensos, mais generosos, mais ternos, mais alegres. O marido e a mulher ‘tomam consciência da própria unidade e cada vez mais a realizam’. O dom do amor divino que se derrama nos esposos é, ao mesmo tempo, apelo a um constante desenvolvimento deste dom da graça”. (AL 134)

 

  1. Discernimento, aprofundamento, e sermos próximos das feridas das famílias. Uma palavra chave da Exortação é discernimento. O Papa nos pede que busquemos ir às realidades das pessoas (cf. AL 36, 37), entender suas situações concretas. Neste sentido discernir será formar as consciências e não substituí-las com nossas opiniões. O discernimento que fala o Pontífice será, portanto, plasmado das “exigências de verdade e caridade do Evangelho propostas pela Igreja” (AL 300). A Exortação insiste numa pastoral positiva, que acolha as pessoas levando a um aprofundamento gradual do Evangelho (cf. AL 38). Uma pastoral samaritana que seja misericordiosa em curar as feridas, sem deixar de levar a verdade segundo a caridade de Cristo.

 

  1. Encorajamento a uma leitura formativa em nossas paróquias, pastorais e conselhos. Penso que diante destes pontos principais e favoráveis, que não se esgotam, somos chamados a aprofundar o tema da Exortação. Diante das urgências de nosso 8º Plano de Ação Evangelizadora que contempla as famílias. Este estudo deverá ser sério, sem precipitações, conscientes do desafio pastoral que temos pela frente, sem querer dar respostas prontas, ou opiniões das mídias às pessoas. Papa Francisco no n.6 resume os capítulos da Exortação, deixando-nos o interesse pelo aprofundamento. Destaco aqui o interessante capítulo sobre a espiritualidade familiar.

Que a Sagrada Família, proteja nossas famílias e nos fortaleça para que sejamos anunciadores da boa notícia das famílias no mundo de hoje.

 

Pe. Dr. Carlos Eduardo de Souza Roque
Assessor Diocesano da Pastoral Familiar
Doutor em Teologia Espiritual

 

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