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Diocese de Osasco

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Voz do Pastor › 20/07/2014

Ser trigo em tempos de joio, eis o desafio da nossa Missão

Queridos irmãos e irmãs,

Quero saudar e agradecer de coração aos irmãos arcebispos e bispos, entre eles de modo especial o Cardeal dom Odilo, pela acolhida nesta Província, e também a dom Cláudio que é um pouco meu pai, me ordenou padre há 37 anos, e depois ele mesmo presidiu a ordenação episcopal, há 7 anos, e agora está presente nesse novo início. Também agradeço a Dom Ercílio que, desde o início manifestou verdadeira alegria em me receber. E não posso deixar de lembrar Dom Walter que não pode vir, com quem convivi nesses sete anos, em União da Vitória, e que foi um emérito exemplar. Tenho certeza de que ele foi pra mim muito melhor do que eu pra ele, Deus sabe disso. Saúdo e agradeço também os presbíteros e diáconos, os meus padres de Osasco e também os que vieram de União da Vitória, os confrades franciscanos, e todos os religiosos e consagrados seculares, as autoridades públicas, ao povo de Deus aqui e também aqueles que vieram das cidades por onde passei, e que representam uma multidão de amigos que carrego no coração.

A Palavra de Deus diz hoje tudo o que devíamos levar em conta ao iniciar esta nova etapa: O livro da Sabedoria fala de um Deus forte para nos amparar, porém, paciente e bom para suportar nossas fraquezas. São Paulo garante que é o Espirito Santo que vem em socorro de nossa fraqueza, pois a gente é incapaz até pedir aquilo de que necessitamos. E o evangelho me garante que vou encontrar aqui na Diocese de Osasco um campo já semeado, e que há muito fruto bom a ser colhido. Não deixa  de ser consolador para quem chega, e não é diferente aqui em Osasco, nesses 25 anos de trabalho intenso pelo Reino. Porém, o evangelho adverte: há, por certo, também a semente ruim, não se pode ter ilusões. Pior: a semente ruim tem semelhança com a boa. Podemos confundir e arrancar o que deveria ser preservado, ou tentar salvar o que deveria ser eliminado. Essa dificuldade assusta o novo bispo, não se pode pecar por descaso, nem por pressa ou excesso de zelo. Assim o joio e o trigo deverão conviver.

Então é natural que a gente sinta certo desconforto por essa convivência entre o bom e o ruim. Mas há aí nessa realista advertência do Senhor, nesse tempo prolongado de joio e trigo, nessa aparente complacência de Deus, também um sentido confortante: que se chama misericórdia e esperança. O Senhor tem paciência conosco e espera que nos convertamos. Mas essa paciência não é conformismo. Ela é carregada de esperança. Um dia, tudo se tornará límpido e certo. E não vai depender tanto de mim ou de você, mas vai ser consequência da bondade daquele que semeia só sementes boas.

Nem conformismo nem complacência com o mal

A missão é de longo prazo, não podemos tratá-la com impaciência. (Recebi, nesses três longos meses muitas mensagens, e-mails – três meses pareciam uma eternidade – de padres e também de leigos, contando suas expectativas, e também buscando algumas respostas que eu mesmo não sabia responder, peço perdão se não respondi convenientemente a todos…)

A missão é de longo prazo, mas traz consigo uma urgência que não admite o conformismo. E vamos trabalhar juntos para que esse dia prometido afinal chegue, o dia do juízo e do fogo. Mas enquanto não chega esse dia, ajuda-nos as outras duas parábolas de hoje, a da mostarda e do fermento, que falam de um crescimento misterioso e potente, maior do que a nossa expectativa, e que vai além do que podemos programar com os nossos planos e estratégias. Podemos plantar e regar, mas o crescimento é de Deus. Podemos não distinguir com clareza o que é joio e o que é trigo, mas o Senhor nos oferece critérios para que nós possamos conviver com o trigo e resistir ao joio.

Vivemos um momento especialmente privilegiado da nossa Igreja

Não é dia, hoje, de fazer programa de trabalho nem promessas de governo (ainda que estejamos em tempo de campanha eleitoral, mas não é o nosso caso). Mas queria convidá-los a olhar o futuro com muita esperança e muita alegria. Alegria, aquela de que fala o Papa Francisco. Ele nos ajuda a sermos trigo de Deus, sermos trigo de alegria para esse mundo de situações que são carentes de vida e de alegria. Ele o Papa Francisco, não faz sozinho essa grande transformação da Igreja que, hoje, deixa meio embasbacados aqueles que não creem, aqueles que lutam contra a esperança, os joios da indiferença e do conformismo com a corrupção e com o mal. Ele conta conosco, com uma Igreja disposta a sair para as ruas, evangelizar com gestos fortes de conversão, de testemunho. Temos as nossas urgências da Igreja no Brasil muito claras, se bem que difíceis, mas numa linha decidida de sair em missão. É essa Igreja que eu quero propor, quero esperar e sonhar, com a força prometida por Deus.

Quero dizer, então, aos bispos, especialmente ao meu novo Regional, mas também àqueles do Paraná, pois a nossa missão é a mesma, junto com meu agradecimento, o meu desejo é de plena comunhão. Temos em mãos um projeto missionário rico e abundante de inspirações, que se expressam no documento “Comunidade de Comunidades” e nas nossas 5 urgências. Peço que me ajudem a caminhar junto num grande projeto de Igreja viva e presente na realidade daqui, que preciso aprender.

Ao clero, meus filhos, minha família diocesana, sem vocês, eu não sei o que fazer nessa seara imensa. Notei, Dom Ercílio, um cuidado muito especial que o sr. teve na formação, no cultivo, desde a pastoral vocacional, até o acompanhamento próximo e paterno, próximo da vida de cada um. Me ajude a continuar assim. Notei também, nos e-mails que recebi dos padres, muita euforia em me mostrar os trigos e prevenir os joios. Todos somos, eu também sou joio e trigo, vocês vão perceber, mas vamos nos ajudar a ser, cada vez mais, trigo bom. No que depender de mim, quero-os próximos, de mim e, sobretudo, próximos do povo. “Pastores com cheiro de ovelhas”, como quer o Papa Francisco, e isso já virou lugar comum, mas traduz bem o que teremos de ser.

Aos consagrados e consagradas, eu também sou religioso franciscano, e sei o quanto é significativa a nossa vida consagrada. Mas sei também que em muitos aspectos perdemos a força de ser sinal. Temos aí pela frente um ano especial dedicado à vida consagrada, 2015, e vamos aproveitar isso desde já. Peço que tomem a frente para apresentar um testemunho corajoso de despojamento, de lucidez e de alegria pelos seus carismas, e me levem junto por esse caminho de audácia e entrega.

Aos leigos e leigas, gente comprometida e participativa, alegre e fiel. Pude já, desde os primeiros dias, sentir a força e entusiasmo da nossa gente aqui, quando nos encontramos em Aparecida, com mais de quatrocentos ônibus e vans, em agradecimento pelo jubileu da diocese. A vocês, eu confio de modo especial o Ano da Paz que terá início no próximo Advento. Mas não esperem que chegue o fim do ano para começar. A paz não é só uma bandeira para carregar, ela é feita de propostas concretas, ações transformadoras. Isso tem que começar a ser pensado a partir de hoje, nos movimentos, nas associações, em comunhão com os pastores. Senão o ano da paz vai passar em branco, literalmente, em branco… Se todos estivermos engajados haverá muito o que fazer nesse ano da Paz, tão oportuno.

Entre os leigos e leigas quero agradecer de modo especial as autoridades públicas aqui presentes. Já pude perceber uma proximidade que não é só de ocasião. Uma parceria sadia, em benefício do povo a quem servimos, deverá nos mostrar que o poder público, num pais sadiamente laico, não pode ficar alheio às ações da Igreja. Estado laico não é estado ateu. Mas também não é troca de favores e interesses pequenos, mas respeito e serviço, aos valores da fé e ao bem do povo.

A todos, o Papa Francisco nos pede uma Igreja corajosa, em saída, um testemunho luminoso, e sem negociar ou reduzir as exigências do Evangelho, centrados em Cristo, sob a proteção de Maria Santíssima.

A todos, Paz e Bem!

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