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A Porta da Misericórdia sempre ficará aberta

Foto: Pascom Diocesana

Estamos caminhando para o final do Ano Santo Jubilar que tantos benefícios trouxe para nós católicos que acolhemos o convite do Papa Francisco de viver mais próximos da misericórdia infinita de Deus. O benefício foi, aliás, para o mundo todo, pois o Papa Francisco é querido também fora do mundo católico, sendo hoje uma referência humanitária, uma voz profética que, ao anunciar a alegria do evangelho, da família e da vida, denuncia e expõe as feridas impostas pelo comportamento desumano, destrutivo e injusto da humanidade, seja na vida pessoal, seja nas decisões que afetam a vida de populações inteiras. A injeção de misericórdia nas veias da humanidade, através do Ano Jubilar fez e faz muita diferença no mundo.

Iniciado no dia 8 de dezembro do ano passado, este Ano Santo será encerrado no dia 20 de novembro, Festa de Jesus Cristo Rei do Universo, para toda a Igreja. Na nossa diocese, haverá uma grande celebração, em frente à Catedral Santo Antônio, quando será fechada a Porta Santa das indulgências do Ano Jubilar. Convido a todos, clero e leigos, religiosos e religiosas, movimentos e associações de féis de toda a diocese, e mesmo aqueles que não frequentam a nossa Igreja, mas se sentiram tocados pela misericórdia de Deus, para agradecermos juntos as graças deste ano abençoado. Impossível fazer um balanço completo, tal a profusão de favores ou graças recebidas. Mas vamos relembrar alguns aspectos deste Ano Santo que vamos encerrar:

  1. A Porta Santa – A Catedral Santo Antônio, desde o dia 11 de dezembro vem recebendo as peregrinações de todas as paróquias em busca das indulgências do Ano Santo. Até o encerramento da Porta quase trinta mil peregrinos terão passado pela Porta Santa, contando apenas as peregrinações registradas pelas paróquias. A esse número devem ser acrescentados os que vieram em grupos menores, famílias, grupos de oração, ou aqueles que repetiram a visita por iniciativa pessoal, que nem foram contados. Todos foram acolhidos por uma equipe animada, com cantos e orações, lanches, lembranças e amizade. Um passaporte foi preparado para que cada peregrino pudesse deixar suas intenções anotadas e seu nome registrado na Catedral. As intenções recolhidas foram levadas aos três mosteiros das monjas contemplativas, que generosamente se comprometeram em rezar por todas essas intenções e pelos frutos do Ano Santo. Foram muitas as confissões e comunhões e as orações do Ano Santo, sinal de indulgência e perdão, além de um estímulo para a vida cristã.

 

  1. A Igreja Catedral – Para muitos, esta foi a primeira visita feita à Catedral diocesana, nesses 27 anos de história da Diocese de Osasco. É a Igreja Matriz de todos os diocesanos, sinal de unidade de todos em torno de Jesus Cristo Bom Pastor. Todos devem se sentir em casa, na Igreja Catedral, e o querido Santo Antônio, deve ser de fato o padroeiro de todos nós. Em vista disso, a Catedral Diocesana vem passando por uma grande transformação, não só estética e funcional, mas também no seu significado eclesial. Com a reforma do templo, já em andamento, ao lado da Cúria Diocesana, com todos os serviços prestados às paróquias e futuramente o Centro Diocesano de Pastoral também renovado, terá mais condições de cumprir o seu papel como coração materno da Diocese, centro acolhedor e irradiador da ação evangelizadora, lugar onde todos os diocesanos poderão encontrar acolhida e apoio em seu caminho cristão. Agora, a Cripta da Catedral, onde jaz Dom Francisco, o primeiro bispo, está sendo aberta todas as semanas para a missa pelos mortos, e terá local para as famílias ali colocarem os restos mortais de seus entes queridos, um sinal de ressurreição. Essa perspectiva foi intensamente vivida no Ano Santo.

 

  1. As confissões – Não só na catedral, mas em todas as nossas igrejas,ano-da-misericordia-1 as portas se abriram para o Sacramento da Confissão, expressão vigorosa da misericórdia divina. A convite do Santo Padre, o dia 4 de março deste ano ficou marcado com o nome de “24 horas para o Senhor”. As igrejas ficaram de portas abertas, mesmo à noite, e de madrugada, para acolher os penitentes, que foram milhares, surpreendendo os sacerdotes e a todos. Cristãos, que vinham sem esse sacramento há muitos anos, se sentiram tocados pelo perdão divino. Após essa data, a procura pelo sacramento do Perdão não deixa de crescer.

 

 

  1. As obras de Misericórdia – A maravilhosa carta do Papa Francisco, chamada “Misericordiae Vultus” lembrava que a Igreja inteira, para ser fiel ao seu Senhor, deveria se dedicar às Obras de Misericórdia, assim reunidas em 14 pontos: sete obras de misericórdia corporais e outras sete de ordem espiritual. Repartir o alimento, a veste, o consolo, atender aos doentes, aos presos, aos tristes, ensinar e aconselhar os que não sabem o caminho, simplesmente fazer o bem, é uma obrigação do cristão e não uma escolha de ordem pessoal. Obrigação das Igrejas enquanto comunidades de fé. Neste sentido, figura no nosso 8º Plano Diocesano de Ação Evangelizadora que todas as comunidades paroquiais, mesmo aquelas que já realizam obras sociais, inaugurem algum serviço de misericórdia, como marca deste Ano Santo. Em breve teremos um balanço mais completo. Mas os frutos dessa decisão já se fazem sentir. Não só quem recebe, mas principalmente quem oferece, sai beneficiado.

Entrega do 8º Plano de Ação Evangelizadora aos coordenadores regionais

 

  1. Misericórdia além fronteira – Coloco num bloco à parte esta obra de misericórdia: oferecer uma ajuda pastoral aos irmãos africanos de Moçambique, através de uma ação missionária na Diocese de Pemba, onde está nosso irmão bispo, ordenado em Osasco, Dom Luiz Fernando Lisboa. Embora o plano seja para o ano que vem, podemos colocar, sim, como compromisso do Ano da Misericórdia esse gesto que vem sendo preparado com muito cuidado e demandará um grande esforço missionário de toda a diocese. Se Deus permitir, no próximo ano, uma equipe missionária, padres, religiosas, leigos, estará em condições de atender a uma das muitas paróquias daquela diocese que, com pouco mais de 20 padres deve atender a uma população de dois milhões de pessoas, sendo 30% católicos, e muitas situações de carência e necessidade. Iniciar a missão talvez seja fácil. Mantê-la no decorrer dos anos, esse é o desafio grande e belo que queremos abraçar. E sabemos que na ação missionária vamos levar, mas também vamos trazer grandes benefícios para a nossa vida diocesana.

 

  1. O Amor na Família – O Papa Francisco quis oferecer ao mundo uma expressão de verdadeira misericórdia ao publicar a exortação apostólica “Amoris Laetitia” sobre o amor na família. Nela, o Santo Padre convida a toda a Igreja a uma ação missionária, dirigida às famílias para que cresçam no amor. Pede à Igreja que seja mais acolhedora e amorosa para com todas as famílias, sem excluir ninguém, mesmo aquelas que não são inteiramente de acordo com a norma da Igreja, as que necessitam de fortalecimento e conversão. Fruto do Ano Santo da Misericórdia será o esforço da Pastoral Familiar de se tornar mais missionária, oferecendo a todas as famílias um caminho de aproximação à Cristo e ao Evangelho, seja qual for a sua situação. Estamos preparando a criação do Tribunal Eclesiástico diocesano com a finalidade de agilizar os processos de nulidade matrimonial, e assim oferecer aos casais que vivem em segunda união, quando for possível, o matrimônio e o retorno à vida sacramental. “Amoris Laetitia” é um apelo à evangelização das famílias propondo-lhes um caminho de misericórdia.

 

  1. O jovem, a fé e a vocação – O Papa Francisco olha com um carinho especial os jovens do nosso tempo. Durante o Ano da Misericórdia encontrou-se com eles, na Jornada Mundial da Juventude e ali mostrou o quanto conta com eles na evangelização: “Jovens, não vegetem no sofá da vida” dizia o Papa, para convidá-los a “calçar as chuteiras” e sair em missão. As páginas da “Amoris Laetitia” sobre a família, muitas delas tem como destinatários os jovens, a quem o Papa recomenda especialmente abraçar a vocação familiar como caminho de realização e santidade. Sua atenção pelos jovens o fez perceber que muitos estão desorientados, sem rumo, e sem acreditar no futuro. E esta percepção o fez escolher o tema do próximo Sínodo dos Bispos, que começará a ser estudado em todas as dioceses: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

 

  1. A Mãe de Misericórdia – O Ano da Misericórdia, para nós brasileiros, não termina em novembro, mas dá lugar ao Ano Nacional Mariano, para comemorar o tricentenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Nossa diocese recebeu, em maio, no Santuário Nacional de Aparecida uma imagem peregrina de Maria que vem passando por todas as paróquias e comunidades. Em cada celebração, nas carreatas e procissões, em todos os caminhos vai arrastando uma multidão de devotos, vai aquecendo os corações, semeando esperanças, reunindo famílias, aproximando as pessoas de Deus. Assim será durante todo o Ano Nacional Mariano, um tempo de misericórdia e de amor.

No dia 20 de novembro será encerrado o Ano Jubilar da Misericórdia. A Porta Santa da Misericórdia será fechada, na Catedral, esse é o rito. No entanto, ao agradecer os frutos do Ano Santo iremos perceber que cada um dos pontos citados acima abre uma perspectiva de futuro, abre os horizontes de uma Igreja misericordiosa, um tempo novo de misericórdia que não tem encerramento, não tem fim. A misericórdia do Pai é infinita, mostrou seu rosto em Jesus Cristo, nosso Senhor, em sua querida Mãe, e agora se enraíza no mundo através de nossas obras de misericórdia. Elas é que nos fazem crer que a Porta Santa não será mais só na Catedral, mas permanecerá aberta em todas as comunidades.

Dom João Bosco
Bispo Diocesano de Osasco