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Diocese de Osasco

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Voz do Pastor › 06/10/2014

Paróquias voltadas para a missão

A CNBB já prepara as novas Diretrizes Gerais para os próximos quatro anos, no rastro do Papa Francisco

A cada quatro anos, os Bispos do Brasil fazem uma revisão e planejamento de toda a ação evangelizadora. Isso vai acontecer em abril próximo, ocasião em que nós, pastores das quase trezentas dioceses, estaremos reunidos em Aparecida, e já teremos recebido os textos de preparação para este grande momento de construção da unidade da Igreja, que são as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE).

Nossa diocese de Osasco sempre caminhou à luz dessas orientações pastorais e, por isso, neste momento, deve estar atenta, em oração e estudo, revendo suas atividades e compromissos pastorais, e olhando para o futuro, para o que o Espírito nos aponta: construir o Reino de Deus nesta nossa Igreja, em comunhão com a Igreja do Brasil e do mundo.

No mês de outubro acontece a última assembleia diocesana de Osasco, dentro do 7o Plano Diocesano da Ação Evangelizadora, e a tarefa final será detalhar e por em prática a prioridade da Pastoral Familiar. E justamente agora que a Igreja, no mundo inteiro, acompanha a caminhada sinodal proposta pelo Papa Francisco, de examinar, com coragem, a problemática da Família, no contexto das grandes mudanças da cultura, e assim amparar a Família, esse dom precioso de Deus, com as luzes do Evangelho e a sabedoria de tantos séculos acumulada pela Igreja.

Vamos acompanhar o Sínodo Extraordinário desde agora, até outubro de 2015, e as questões levantadas sobre os temas do Sínodo, pois, ao colocar na balança e no foco das nossas atenções a Família, estamos contemplando, através dela, todos os aspectos da evangelização.

 

Comunidade de comunidades

Em âmbito nacional, neste ano de 2014, fomos premiados com uma orientação forte e clara, da CNBB, sobre a renovação da vida paroquial. O texto aprovado pelos Bispos do Brasil fala de uma “nova paróquia” e tem como subtítulo “a conversão pastoral da paróquia”. Na última Assembleia Geral da CNBB, o texto foi aprovado unanimemente pelos bispos e ganhou um número redondo e simbólico. O documento azul, que leva o número 100, é nascido das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, em vigor de 2011 a 2015.

Embora seja uma extensão de um capítulo das Diretrizes, (Comunidade de Comunidades), o documento é praticamente um resumo das diretrizes todas. De fato, a partir do olhar sobre o mundo atual, e sobre a Paróquia especialmente, sua história e perspectivas, o documento 100 apresenta propostas muito concretas para a Igreja se tornar, de fato, missionária, como vem sendo descrita desde a Conferência de Aparecida. O documento 100 faz um retrato da vida paroquial, e abre perspectivas tão inovadoras, que não deve ser considerado como fecho destes quatro anos das diretrizes que terminam em 2015, mas como inspiração para os próximos quatro anos, das novas diretrizes que estão sendo elaboradas.

 

O caminho do documento 100

Foram dois anos de reflexão dos bispos, junto a suas dioceses. No primeiro ano se fez um documento de estudo, um documento de capa verde, que foi muito procurado e apreciado pelas paróquias, mas ainda era provisório. O segundo, mais completo, juntou inúmeras sugestões, do Brasil inteiro. Incluiu também a exortação Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, que enriqueceu a linguagem, corrigiu o foco, acentuou a perspectiva missionária, com a autoridade de quem coordenou a redação do Documento de Aparecida e depois se tornou o Pastor de toda a Igreja, chamando a atenção do mundo por seu pensamento simples e evangélico.

Portanto, o documento 100, com relação àquele anterior, é bem diferente e melhor. Digo isso porque ambos trazem o mesmo título. “Comunidade de Comunidades: uma nova Paróquia”. Muita gente comprou o documento verde, conheceu seu conteúdo, procurou coloca-lo em prática como se fosse definitivo. Pode acontecer que alguma comunidade, ao ver o novo, o dê por conhecido, deixando de lado a riqueza de suas propostas. Aqui na diocese de Osasco, pude perceber que algumas paróquias movimentaram-se para estudar esse texto, sob a liderança de seus párocos. Em alguns casos toda uma Região Pastoral está trabalhando para tornar conhecidas as propostas do documento 100.

Aproveito, então, esta ocasião para incentivar esse trabalho e solicitar a todos, os padres, os conselhos, as pastorais, aos movimentos e associações que atuam nas paróquias, todos, que retomem o documento 100, conheçam seu conteúdo, busquem aproximar suas propostas à realidade de cada paróquia, transformem-no em projeto e programa de ação paroquial para os próximos anos. Todos, diz Papa Francisco, “sejam ousados e criativos” abraçando este documento “sem impedimentos nem receios”. E completa o Papa: “Importante é não caminhar sozinho, mas ter sempre em conta os irmãos, e de modo especial a guia dos Bispos, num discernimento pastoral sábio e realista” (EG,33).

 

A Conversão Pastoral da Paróquia

A expressão “conversão pastoral”, presente no subtítulo, é o que distingue o documento 100 com relação ao seu antecessor. A palavra “conversão”, antes usada para designar o caminho feito pelo pecador individual que retorna para Deus, a partir da Conferência de Aparecida, tem o seu sentido ampliado para designar a transformação de toda uma realidade, aqui no caso, da instituição paroquial. Mas a conversão da Paróquia, não quer dizer a sua estrutura, nem o território, mas as pessoas que a compõem. Renovar a Paróquia é buscar a conversão das pessoas que fazem parte dessa comunidade de fé. Podemos então avaliar o grau de dificuldade que essa tarefa oferece: se eu busco a minha conversão pessoal, pode ser um caminho difícil, porém, só depende de mim e da graça de Deus. Já a conversão pastoral muitos, na mesma direção, supõe um processo consciente, exigente, paciente, perseverante, de caminho à luz da oração. Ela não acontece sem a conversão pessoal, mas vai além. A conversão tem como ponto de partida o encontro pessoal com Jesus Cristo.

Observa o documento 100 (n.52), com sadio realismo, que “muitos dos nossos agentes não fizeram esse encontro com Jesus Cristo, capaz de transformar e configurar cada vez mais suas vidas ao Senhor”. Há lideranças que ainda olham apenas para o seu grupo, seu movimento, sua pastoral, e não para a unidade em Cristo. Há, por certo, comunidades que não somam com o todo da paróquia, e até paróquias que assim se portam diante da família diocesana. Dá para perceber que o caminho da conversão será longo, carece de determinação, paciência e luz divina.

 

Conversão para a missão

O documento 100 encontra-se na convergência de três fontes recentes que garantem a sua atualidade e vigor pastoral. A primeira é a Conferência de Aparecida. Nós ainda não conseguimos absorver toda a riqueza de inspiração desse grande sopro do Espírito Santo, antes, estamos ainda nos primeiros passos. Na sequência de Aparecida, as Diretrizes Gerais da CNBB foram pontuando o caminho da Igreja do Brasil, dentro da mesma inspiração, nestes últimos 7 anos. Do ano passado para cá, grande bênção foi a chegada do Papa Francisco, ele próprio, com seu carisma, seus gestos e pronunciamentos, a apresentar ao mundo a síntese e a motivação que resume toda essa proposta de Igreja, que parte da América Latina e contagia o mundo. Sua exortação Evangelii Gaudium é, segundo ele mesmo, o programa dos seus anos de pontificado. Não é mero documento para ficar na gaveta, mas deve ter consequências práticas. A Evangelii Gaudium desenha, nos seus 288 parágrafos, um arco que vem desde os documentos do Concílio, de 50 anos atrás, passando por uma Exortação do Papa Paulo VI, que tinha um nome bem parecido, a Evangelii Nuntiandi, até chegar ao Documento de Aparecida.

Com este grande horizonte, o Papa convida a todos a ser uma Igreja “em saída”, decididamente missionária. Deseja que a Igreja saia às ruas, mesmo correndo o risco de machucar-se, porém evitando o risco de ficar fechada em sua segurança, e adoecer. Estas três fontes de Inspiração: Aparecida, Diretrizes Gerais e Evangelii Gaudium, estão resumidas na proposta de renovação paroquial do Documento 100. Gostaria de incentivar a todos, desde os párocos, os formadores e formandos, os consagrados, os movimentos e associações, mesmo que já tenham lido o documento verde, de estudos, tomem ou retomem a questão da renovação paroquial, segundo as propostas do documento 100. Aqueles que já o estão fazendo, incentivem os que ainda não estão, nas instâncias regionais e nas paróquias, nos movimentos e associações. Não estranhem que haja resistências a tudo o que é novo, há entusiasmos que passam e cedem à acomodação. A unidade não pode matar as diferenças, claro, nem as diferenças podem prescindir da unidade. Se este é o caminho que nos aponta a Igreja, vamos construir esse caminho juntos.

 

As novas Diretrizes Gerais

O fato de o Documento 100, o azul, ser fruto das diretrizes em vigor nos últimos quatro anos, não significa que suas orientações estarão desatualizadas a partir das próximas, que serão escolhidas já daqui a alguns meses, em abril. A CNBB já está iniciando os estudos para o novo texto das DGAE. Haverá, por certo uma renovação da linguagem e, sobretudo, uma aproximação das nossas diretrizes com aqueles pontos que o santo Padre tem acentuado em seus discursos, e que estão redigidos com límpida clareza na Evangelii Gaudium.

As Comissões Episcopais Pastorais, que formam o núcleo pensante da CNBB, estiveram reunidas no final de setembro, com a assessoria do teólogo e doutor Pe. Mário de França Miranda, da PUC do Rio de Janeiro, fazendo uma aproximação do texto das atuais Diretrizes com os discursos do Papa Francisco. E os temas mais acentuados foram a Igreja missionária, impulsionada pelo Espírito Santo; a sinodalidade, quer dizer, o modo colegial de decidir e viver na Igreja; a Igreja pobre para os pobres, entendendo “pobres” como todos os que estão no pior lado das desigualdades da sociedade; a participação ativa dos leigos na Igreja e no mundo, o diálogo mais aberto com a cultura atual.

Tenho por certo que o documento 100 contempla todos esses temas, e estará, portanto, no coração das novas diretrizes. Por isso eu peço atenção de todos para ele. Seja para os padres e religiosos, para os agentes de pastoral, conselhos, para todos os fiéis, livro de cabeceira, manual de estudos, esteja nas reuniões de planejamento, nas ocasiões de formação. Sem dispensar a Bíblia, deixem-no também, junto ao genuflexório. É o sopro do Espírito Santo para as nossas paróquias hoje.

Dom João Bosco, ofm
Bispo Diocesano.

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