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O Ano do Laicato termina

Foto: Semana de Fé e Compromisso Social de 2018 refletiu o tema ‘Leigos e Leigas em Ação’. Crédito: Felipe Gazoli / Pascom Diocesana

Leigos e Leigas continuam, agora ainda mais, Sal e Luz

O ano dedicado aos leigos e leigas se encerra na Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, no próximo dia 25 de novembro. Já podemos olhar para os frutos colhidos e agradecer ao nosso Deus. Muito mais ainda vamos colher, pois, como disse Jesus, as sementes lançadas, têm o seu dinamismo próprio (cf Mc 4, 27-28). Noite e dia se sucedem, e elas “crescem sem que o agricultor saiba como”, por força da própria Palavra.

O Ano do Laicato aconteceu só no Brasil, embora elogiado em todo mundo e acolhido com alegria pelo próprio Papa. Foi contemplado com um documento dos Bispos intitulado “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade” (doc 105), que norteou todas as reflexões, estudos, celebrações e iniciativas ocorridas durante o ano. À frente desta grande mobilização esteve a Comissão da CNBB para o Laicato e o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (o CNLB) que produziu outros materiais de reflexão e celebração, ciclos de palestras, estudos e motivação para a ação nas dioceses e comunidades.

Terminado este rico e multifacetado caminho, o que podemos guardar? O que fica de permanente, para a nossa realidade diocesana especialmente? É comum admitirmos que esses “anos” celebrativos, depois que passam, caem no esquecimento e as atenções se voltam para outra grande ideia que possa alimentar a nossa sede de novidades, e com isso se perde o que foi conquistado. Não podemos deixar que isso aconteça.

E não vai mesmo acontecer. A Igreja que se renovou no Concílio Vaticano II produziu um pequeno rio de fonte límpida, o laicato, ainda muito sumido, debaixo da ramagem do clero, mas que aflorou pouco a pouco, cresceu, e se tornou um imenso rio, um mar de águas a regar os campos da Igreja e do mundo, produzindo nova paisagem. Nesse rio bebeu a catequese renovada, até chegar hoje à abrangente proposta da Iniciação à Vida Cristã; os movimentos leigos cresceram na espiritualidade na formação bíblica, os movimentos familiares criaram estrutura sólida de apoio à família, nas suas diversas etapas; a juventude cristã se levantou em grandes encontros mundiais, e agora com um sínodo que envolveu toda a Igreja num rejuvenescimento vigoroso; as novas comunidades colocam-se a serviço das mais diversas frentes de evangelização; os meios de comunicação de conteúdo religioso formam uma nova geração de cristãos; as obras sociais da Igreja que sempre tiveram uma presença generosa na sociedade enfrentam com coragem a nova realidade do mundo transformado pela economia global e um mundo de marginalizados e excluídos, tornando imprescindível a ação transformadora assumida por todo o laicato. E a Igreja “em saída missionária” começa a sair, de fato, do papel para os caminhos do Reino.

O CNLB, como organismo de animação e formação da vida laical no Brasil teve um papel importante durante todos esses anos. Ramificou-se pelo país, pelos regionais e dioceses, fazendo o seu papel motivador da ação transformadora na sociedade. Sua estrutura foi feita num tempo em que havia poucos leigos bem formados, porém agora com um laicato mais amplo e maduro, precisa rever sua estrutura, em muitos aspectos, enrijecida. Nós não temos na diocese um CNLB, porém temos os três setores da Ação Evangelizadora que abrangem os Movimentos e Associações, as Pastorais e Ação Missionária e as Pastorais Sociais que oferecem a todos os leigos e leigas, na Igreja e na sociedade, a motivação para ser sal e luz como pede o Evangelho.

Ao encerrar o Ano do Laicato, com sinais expressivos de crescimento da consciência de verdadeiros sujeitos eclesiais, temos esperanças que nos ajudam a passar por esses tempos sombrios que o mundo atravessa. São sinais de esperança os leigos e leigas:
– que compõem a variada realidade eclesial de hoje, com mais animação, formação e compromisso.
– que participam das ações pastorais da Igreja, sobretudo entre os mais sofridos, os caídos, os que a sociedade exclui e marginaliza.
– que adentram no vasto e complicado mundo da economia, da política, da cultura, das ciências e das artes, levando o fermento bom do Evangelho.
– que querem viver o seguimento de Jesus nas famílias, no trabalho profissional, participando da sociedade civil e da construção de um mundo centrado nos valores do Evangelho. Sal da Terra e Luz do Mundo.

Dom João Bosco, ofm
Bispo Diocesano de Osasco
http://dbosco.org/