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Diocese de Osasco

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Voz do Pastor › 07/05/2019

Missionários extraordinários, ciclones e uma Igreja em saída missionária

Estamos ligados à Diocese de Pemba, seja afetivamente, pela amizade com Dom Luiz Fernando Lisboa, seja efetivamente, pelo projeto do nosso Regional Sul 1, que mantém a presença de missionários, padres, religiosos e leigos, a serviço daquela Igreja e do povo moçambicano. Por isso mesmo ficamos especialmente abalados com as notícias de Dom Luiz: a passagem do Ciclone Kenneth, o segundo em pouco mais de um mês, causando uma grande destruição de casas, destelhando igrejas, atingindo escolas, hospitais e deixando mortos e desabrigados. Escreve dom Luiz: “Ainda não temos o total de perdas humanas porque algumas áreas estão sem comunicação. As perdas materiais são incalculáveis. Há Distritos em que a destruição chegou a 90%. A cidade de Pemba teve alagamentos em todos os bairros, com muita destruição. Contamos com as vossas orações e solidariedade.” A ajuda humanitária emergencial tem chegado, segundo dom Luiz, nesses dias difíceis, porém, a reconstrução será lenta e penosa, impossível de se fazer com os recursos já diminutos da Diocese. Por isso lançamos a campanha solidária e missionária “Osasco Abraça Pemba” para facilitar aqueles que puderem ajudar os irmãos de lá. Cada Paróquia irá receber as doações, de 1 a 31 de maio, e encaminhar a Moçambique pela Caritas Nacional.

Porém o nosso espírito missionário não pode ser apenas extraordinário e emergencial. A Campanha se insere num contexto missionário abraçado por toda a Igreja que se descobre essencial e permanentemente missionária. Temos diante de nós a proposta do Papa Francisco de realizar em todo o mundo, no mês de outubro, um Mês Missionário Extraordinário (o MME), do qual ele próprio escolheu o tema “Batizados e Enviados – A Igreja de Cristo em Missão no Mundo”. Convido-os a ler a carta do Santo Padre em que ele convoca a Igreja para este outubro especial, e irão perceber que não se trata do mês missionário que celebramos todos os anos, mas de um novo olhar para a missão da Igreja, que deve ser vivenciado em todas as dimensões da vida cristã, entendendo que o mandato do Senhor “Ide por todo mundo e proclamai o Evangelho” não é opcional para a Igreja, mas sim “uma obrigação imprescindível, porquanto a Igreja é, por sua natureza missionária”. Francisco dizia que a atividade missionária “representa o mais importante desafio da Igreja, e deve ser a primeira de todas as causas”. Constituamo-nos em permanente estado de missão”. São palavras da Evangelii Gaudium. Aquilo que o Papa Francisco escreveu em seu primeiro documento como pontífice, continua parecendo a ele inadiável, para que a Igreja não caia vítima de uma espécie de introversão eclesial.

Foi ainda como Cardeal Arcebispo de Buenos Aires que o Papa Francisco viveu a experiência de redigir o Documento de Aparecida, em que os bispos repropõem a Missão Continental como caminho da nossa Igreja. Bebendo da mesma fonte, a Igreja no Brasil tem agora as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora que fazem eco a esta mesma necessidade de evangelizar, de sair em missão.

Logo oficial dos Mês Missionário Extaordinário

Vamos nos preparar para o Mês Missionário Extraordinário. Não podemos deixar para a última hora nem reduzir tudo a uma simples coleta pelas Missões que nos deixaria “quites” com o Dia Mundial das Missões, mas nem de longe atenderia ao desejo do Papa. A preparação já começou. Estudar com os leigos os documentos que já estão disponíveis sobre o tema, para que conheçam a motivação do MME, dará mais solidez as ações missionárias. A Congregação para a Evangelização dos Povos publicou um subsídio que pode ser utilizado por capítulos, num programa de formação para ministros, catequistas, coordenações dos movimentos paroquiais. A CNBB tem também publicações que ajudarão nessa tarefa de formar a equipe paroquial. A Paróquia não tem um COMIPA? Aproveite a ocasião para formar um grupo encarregado de animar a Ação Missionária paroquial. Os grupos de novena, aqueles que se formam sobretudo no Advento e na Quaresma, podem ser motivados extraordinariamente para conhecer, meditar e rezar pela missão. O COMIDI, através dos Conselhos Regionais (COMIR’s), pode garantir para todas as regiões e paróquias, o material de outubro, preparado pelas Pontifícias Obras Missionárias. O mesmo COMIDI preparou um retiro aberto a todas as lideranças missionárias paroquiais, dia 25 de maio, que terá como tema “A Espiritualidade do MME, Batizados e Enviados”. Em vista da animação do MME, acontecerá um “encontrão” no dia 24 de agosto. No espírito da proposta do Santo Padre, o Seminário realizará em julho a “Semana Missionária” em Jandira, e o Conselho Diocesano já prepara a “Jornada da Confiança” que se segue à Ação Missionária dos seminaristas.  Tanto os membros do COMIDI como os seminaristas do COMISE estarão à disposição para assessorar os encontros regionais de pastorais e de paróquias.

Vamos divulgar as ações missionárias que fazemos. Divulgar não é autopromoção, é testemunho. Pode ajudar outros a ter boas ideias missionárias. Paróquias que estão realizando ações missionárias em cada comunidade, Regiões que estão retomando o programa lançado nas visitas pastorais, crianças da Infância Missionária, ou grupos de Jovens em missões nas escolas, catequistas que se organizam para visitar as famílias dos catequizandos, comunidades que aproveitam a festa do padroeiro para fazer a novena nas casas, estas e outras ações, precisam ser conhecidas. Um desafio aos grupos de Pascom: coloquem num pequeno vídeo o relato da Ação Missionária, editem com imagens simples, e no final uma vinheta: Batizados e enviados – MME 2019. Vamos ver se cada Pascom consegue ao menos um vídeo por Paróquia. E se na Paróquia não houver nenhuma ação para fazer um vídeo? Aí é preciso refletir bem se estamos mesmo na Igreja de Cristo, missionário do Pai.

Vamos multiplicar as boas ações missionárias. “É transmitindo a fé que ela se fortalece”, diz Francisco. O Mês Missionário Extraordinário é apenas um passo. Deve deixar de ser mês e deixar de ser extraordinário. Não pode ser extraordinário e nem ocasional o respirar, o comer, o amar. A vida missionária deve impregnar todas as ações da Igreja. Cada movimento se pergunte: nosso grupo é missionário? Como pode ser ainda mais? Nossa atividade pastoral é missionária? Como pode ser ainda mais? Nosso tempo, nossos recursos, são aplicados na missão? Como pode ser ainda mais?

A Campanha “Osasco abraça Pemba” é passageira, pois emergencial. Seja feita com consciência e caridade missionária. Mas como seria bom para nossa diocese se visitada por um “ciclone missionário” que nos tirasse os telhados da “introversão eclesial” para nos colocar em permanente “saída” missionária!

Dom João Bosco, ofm
Bispo Diocesano de Osasco

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