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Diocese de Osasco

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Voz do Pastor › 08/07/2019

Jesus olhou para mim, me chamou. Encontrei a Ele e muitos outros amigos

Humberto e Sara foram convidados para ser padrinhos da pequena Rúbia. Sara desconfiava que não podiam, pois não eram casados, mas foram perguntar na secretaria paroquial. Aliás, os pais da criança também não tinham o sacramento do matrimônio. Com muito jeito, a atendente paroquial os convidou: podiam preparar-se juntos, os quatro, para o casamento e o batismo. É demorado? Perguntou Humberto.

Há tempos, Sara queria convencer Humberto para se casarem. Ele foi batizado, mas nunca frequentou a Igreja. Ela foi de grupo de jovens, chegou a fazer retiros, seus pais incentivavam a ir à missa. Mas depois que conheceu Humberto e decidiram morar juntos, ela tentou convencê-lo, mas não teve jeito. Só quando tivessem uma casa, e uma folga de dinheiro para fazer a festa. Esse dia nunca chegou e Sara já havia desistido. Mas agora, com o convite de ser padrinhos, quem sabe?

Ainda não convencidos, Sara deixou seu contato com a atendente. Iriam receber uma visita de um casal da Igreja para a preparação do batismo. Os dois casais esperaram a visita na hora marcada. Foi uma hora de conversa muito agradável. E um convite para ir à Igreja no domingo, e lá haveria outros que estavam se preparando, alguns para o batismo, outros para Primeira Comunhão, e todos para a Crisma, antes do casamento. O mesmo casal os esperava na porta. Sentiram-se como em casa. Humberto gostou especialmente da música, na missa. Ele tinha aprendido tocar violão com um grupo de amigos, pensaram até em formar uma banda, ideia que nunca decolou. Mas na missa, ele ficou de olho no jovem que tocava, e lembrou dos bons tempos…  No final se encontraram com o grupo de preparação para o casamento e os quatro aceitaram fazer a Iniciação à Vida Cristã. Ia demorar, sim, mas os pais da Rubia não tinham feito nem a primeira comunhão. A mesma preparação serviria para regularizar tudo. A mãe de Rúbia lembrou que havia começado a preparação quando criança. Porém os pais se mudaram e o sonho passou. Houve outras visitas em casa e, depois, a preparação mais intensa dos dois casais durante o tempo da quaresma. Percorreram o itinerário do RICA e realizaram o sonho do casamento, e depois o batizado de Rúbia. No percurso, conheceram os casais da Pastoral Familiar e começaram a participar de tudo. Sara me contou, no dia da Crisma, uma coisa que a animou desde o começo: um padre, ao acaso, na TV, falava do olhar de Jesus ao chamar os discípulos. “Ele me chamou, disse ela, encontrei a Jesus e muitos outros amigos. Estou feliz”.

Os grupos de catequese de adultos, em nossas paróquias, estão aumentando sem parar. Vejo sempre entre os crismandos um bom grupo de adultos e alguns até com bastante idade. As histórias são diversas, mas os motivos que apresentam para ingressar na Iniciação Cristã de Adultos coincide em muitos casos. Deixaram de frequentar a Igreja, mas querem os sacramentos. Ao chegar, encontram uma acolhida cordial. Percebem que a Igreja está mais aberta, a liturgia mais bonita. Mas decidem, de fato, fazer a iniciação ao ouvir sobre Jesus, nosso Salvador. Percebem o vazio em que vivem, a falta de um sentido maior para viver. Muitos vêm já com um estímulo a mais: um amigo que fez a iniciação cristã os convence. “o ambiente da Igreja mudou”, me disse um crismando adulto. “Está bem diferente de quando eu deixei de frequentar”.

O que foi que mudou de fato? De onde vem esses novos cristãos que mostram um comprometimento até maior que os jovens crismandos de famílias que já frequentam? Já passaram por igrejas pentecostais e outras, e se decepcionaram? Que tipo de Igreja eles querem? O Papa Francisco os atrai? O que fazer para que perseverem? Estamos percebendo, aos poucos, que as igrejas estão mais frequentadas. Os dias festivos têm uma participação maior que antes. Será que as dificuldades que encontram hoje na vida social, na confusão do mundo urbano, na vida fragmentada e corrida, na luta forte pela sobrevivência, tudo isso junto, têm feito as pessoas buscarem na religião um porto seguro, uma fé unificadora, um sentido maior para vencer os desafios?

Imagem: Ordem dos Frades Menores

Por certo, influem positivamente para motivar essa busca alguns fatores evidentes: há um desejo maior de conhecer Jesus. Mas é preciso buscar essas pessoas. Uma Igreja mais missionária, com leigos mais preparados, uma pastoral familiar conectada com os movimentos familiares, oferece mais chances de novos cristãos virem participar. A Bíblia na mão, o retorno ao querigma, ao núcleo central da fé, Jesus Cristo, sua morte e ressurreição, vai mais diretamente ao encontro desse desejo de conhecer Jesus. Os meios de comunicação católicos também fazem a sua parte na evangelização, despertando esse desejo. A Igreja, mesmo sendo hoje tão criticada e atacada, é uma referência ética num mundo onde os valores e as grandes instituições são questionados. No leilão ruidoso de ideias e propostas, muitas doutrinas de pouca solidez, mensagens falsas e notícias de deslavada corrupção, neste mundo de violências e relativismo, a busca de uma verdade sólida, de uma convivência leal, de princípios mais seguros e firmes tornou-se uma necessidade. E o Evangelho nos oferece esse chão firme para pisar.

Essa nova procura nos traz esperanças, mas é preciso estarmos atentos. Uma boa acolhida é primordial. Delicadeza e atenção, desde o atendente, voluntários, agentes de pastoral e sobretudo o padre. Ter uma boa equipe de visitas, catequese domiciliar, horários flexíveis, liturgia bem preparada, com acolhida, equipe litúrgica, homilia adequada, sem correria, mas também sem delongas. As pastorais e movimentos trabalhando em conjunto.  Ter um roteiro de iniciação baseado no RICA, porém segundo a realidade de cada comunidade. Quanto a este roteiro, há muita variedade na diocese. Será bom quando tivermos algumas orientações práticas para termos mais unidade entre as paróquias. Os diáconos Carlos e Diego estão fazendo um estudo entre as paróquias, para termos informação de como o itinerário é realizado. Depois desse levantamento poderemos estabelecer juntos alguns caminhos.

A Semana Bíblico-Catequética acontece de 15 a 19 de julho. Ótima ocasião para uma troca de ideias também sobre a Catequese de Adultos, como parte importante do projeto diocesano de Iniciação à Vida Cristã.

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de Osasco

 

 

 

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