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Ide, dois a dois, e pregai! (Segunda parte)

Foto: Internet

 

A ideia de escrever uma segunda página sobre o mesmo assunto do mês passado surgiu de uma observação simples: a mensagem do mês passado ocasionou muita discussão comentários, surpresas, propostas, e, até, uma pontinha de mágoa. Apresentei algumas razões, ainda que incompletas, que nos levaram a adiar a nossa ida com uma equipe missionária para a diocese-irmã, a diocese de Pemba, no país de Moçambique, na África. Foi preparado um bom projeto, realizada uma campanha, a expectativa foi grande, mas o resultado não foi suficiente.

As explicações foram genéricas e em alguns casos sentidas como injustas. “A diocese não abraçou a missão”, eu dizia. De fato, é uma afirmação injusta para aquelas pessoas que se envolveram, se esforçaram e conseguiram um bom resultado. “Ainda não temos um coração missionário”, eu dizia. De fato, a afirmação não leva em conta os grandes passos dados até aqui por aqueles que, desde os tempos desafiadores do pós-concílio, sempre estiveram em sintonia com a Igreja, acolheram suas motivações, multiplicaram-se em ações missionárias que colocaram em evidência a diocese, ou mesmo ações que passaram despercebidas, Deus sabe o quanto têm de doação e serviço aos irmãos. Basta lembrar que o próprio dom Luizinho, carinhosamente assim chamado por muitos, hoje bispo de Pemba, é fruto e expressão desse espírito missionário real e presente. Peço perdão, portanto, se carreguei demais nas tintas ao expressar a tristeza de não ser possível ainda a realização da missão.

Os comentários e explicações foram diversos. Estamos em tempo de crise, lembraram alguns. Com toda a incerteza econômica do país, tanto desemprego e carência, não se podia esperar um bom resultado. Outros lembraram que o amadurecimento de um projeto missionário não é rápido. Ele avança e retrocede, se anima e arrefece, mas vai acontecendo, se houver perseverança, teimosia, consciência de sua necessidade e beleza. Mas demora. Também foi lembrado que os passos devem ser progressivos e não logo assumir uma paróquia, sem ter antes uma experiência clara da realidade local. Não foi, portanto, tímido o resultado, mas antes, a expectativa é que foi colocada demasiado grande. O correto é acolher o grande esforço daqueles que se envolveram na Campanha e programar os próximos passos, com esperança e realismo.

Caminhos que se abrem – Alguns sinais promissores nos fazem olhar o futuro com sadia esperança. E o primeiro sinal, a meu ver, foi a reação diante da notícia de que não estamos prontos para partir. Podemos adiar a partida, mas não desistir. Em conformidade com o Conselho Missionário Diocesano, o COMIDI, deveremos não só destinar essa arrecadação integralmente para a sua finalidade, a Diocese de Pemba, mas até mesmo estabelecer uma forma de campanha permanente, para que esse fundo missionário possa crescer.

Já mencionamos no BIO passado que dois seminaristas, já próximos da ordenação, se apresentaram para fazer o curso “Ad gentes” do Centro Cultural Missionário, em Brasília. Rafael Santana e Dênis Mendes participam de uma preparação intensiva para aqueles que vão ser missionários em outros países. O curso não é apenas teórico, mas uma convivência com outros missionários que trazem testemunhos vivos e belas experiências. Logo poderão estar prontos para ir além-fronteiras. Outros jovens seminaristas já comentaram comigo que esse exemplo é atraente. A proposta de uma pequena expedição, mais breve, para conhecimento e estudo do local, permanece de pé. Precisamos ter uma ideia mais concreta da realidade que vamos encontrar.

Outra perspectiva interessante é que no próximo ano estão sendo programadas as visitas pastorais missionárias onde, ao lado da visita do bispo às comunidades, uma ampla frente missionária visitará todas as casas, região por região, até passar por toda a diocese. A mesma alegria missionária que invadiu Itapevi e Alumínio estará se repetindo em todas as cidades.

Vamos intensificar as orações. Essa é a estratégia que mais resulta em abundantes frutos de missão. “Pedi ao Senhor da messe que envie operários à sua messe”. É a fórmula mais simples. Não demanda demasiado investimento, só a dedicação do tempo e do coração. E o fruto aparece. Não vamos economizar aí, porque o Senhor tem sido generoso conosco no número de jovens que procuram o seminário diocesano, só vamos rezar para que venham com essa disposição missionária que a Igreja pede e necessita.

 

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano de Osasco

http://dbosco.org