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Voz do Pastor › 21/06/2019

A Igreja, nossa casa de portas abertas para entrar e sair

Já estão chegando nas mãos de todo o nosso povo as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE 2019-2023), com as linhas básicas que nortearão a ação da Igreja nos próximos 4 anos. Os quase 300 bispos do Brasil, reunidos em Aparecida, finalizaram e aprovaram esse novo documento, depois de avaliar cuidadosamente os passos dados nos anos anteriores. Novas perspectivas se abrem, novas esperanças nos põem a caminho.

O que são as Diretrizes?

São orientações que nos ajudam a realizar a missão evangelizadora, de forma orgânica e participativa. Elas atualizam a ação da Igreja de acordo com as necessidades do mundo de hoje. Evangelizar é a tarefa principal que Jesus deixou à sua Igreja. É missão de todo cristão, e não apenas de alguns. Levar Jesus Cristo ao mundo, em todo o tempo, usando todos os meios, empregando todo o esforço, recurso, inteligência, vontade e paixão. Mas de que forma realizar essa tarefa permanentemente, e juntos, numa só família de Cristo, num mundo tão diverso? Por onde começar, para que lado ir? Como caminhar numa mesma direção se somos tão diferentes? Tudo começa lá no tempo de Jesus, quando ele constitui os apóstolos, e estes os presbíteros, vão se formando as comunidades, firmadas em quatro grandes compromissos: assim escreve Lucas nos Atos dos Apóstolos: “Eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42). As diretrizes atualizam esta mesma orientação dada por Jesus aos Apóstolos para os tempos de hoje. Elas fazem uma leitura profunda da vida urbana atual, com suas contradições e desafios, e encontram nesta mesma cultura urbana uma oportunidade de chegar às pessoas que estão sedentas de Deus, de vida comunitária, de acolhida de irmãos para lhes oferecer Jesus Cristo e o Evangelho da Salvação.

A casa, a comunidade de comunidades

Nos Atos dos Apóstolos vemos que a evangelização era feita nas casas. Este era o cenário mais apropriado para a acolhida, o estudo da palavra, a vida fraterna, a partilha e a missão. Nas novas diretrizes também, a imagem da casa descreve o que deverá ser a Igreja. Uma casa que acolhe fraternalmente os irmãos, oferece convivência, amizade, atenção nas necessidades da vida, se abre ao testemunho da fé, e se prepara para a saída em missão. Além da grande comunidade paroquial ou comunidade eucarística se formará uma rede de Comunidades Eclesiais Missionárias, pequenos grupos de convivência em torno da Palavra, da oração e do testemunho. Grupos de rua, salões de prédios, movimentos e associações, grupos profissionais, moradores próximos, poderão formar essas comunidades eclesiais como ambiente aberto para acolher novos cristãos que se aproximam, olhar para os necessitados e cuidar do meio ambiente. E todas as pequenas comunidades eclesiais se reunirão na grande comunidade eucarística para celebrar os sacramentos e reforçar os laços de comunhão.

As antigas e as novas diretrizes

É comum pensar que quando surge um novo documento na Igreja, o anterior se torna ultrapassado e abandonado. Não deve ser assim. As diretrizes são refeitas a cada quatro anos, abrindo horizontes novos, sem perder a riqueza dos passos dados. Nos últimos anos, trabalhamos com as “cinco urgências” da Ação Evangelizadora, a saber: a Ação Missionária, a iniciação à Vida Cristã, a animação Bíblica da Pastoral, a Comunidade de Comunidades e o cultivo da Vida Plena para todos. Essas cinco urgências foram reagrupadas e estão todas presentes nas novas diretrizes, formando os quatro “pilares” da casa da comunidade:

O primeiro pilar é a Palavra. É em torno da Palavra que as comunidades missionárias se encontram. Aqui se inclui a Iniciação, a formação doutrinal e espiritual, a Leitura orante da Bíblia e outras orações. Todo cristão deverá ter a sua Bíblia pessoal. Devemos preparar ministros e material adequado para esta atividade.

O segundo pilar é o Pão. Inclui a vida Sacramental vivida na comunidade maior. Este pilar abrange a preparação litúrgica, os cantos, as festas de padroeiros com suas novenas, a religiosidade popular, a preparação para os sacramentos e os ritos de iniciação.

O terceiro pilar é a Caridade. Aqui estará a ação social, o serviço à vida, a defesa do meio ambiente e toda a prática do mandamento do amor.

O quarto pilar é a Ação Missionária. Os três primeiros pilares conduzem a este que se torna natural, o testemunho, a Igreja em saída, as ações ad gentes, o projeto Igrejas-Irmãs e tudo o que está previsto no Projeto Missionário Nacional, que mostro a seguir.

O Projeto Missionário Nacional

Também aprovado nesta última Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, o Projeto Missionário Nacional faz parte das Diretrizes, pois a ele tende toda a Ação Evangelizadora. O Papa Francisco estabeleceu que o próximo mês de outubro, em todo o mundo, será vivido como Mês Missionário Extraordinário. Estabeleceu como tema: “Batizados e Enviados”. E encarregou as Pontifícias Obras Missionárias (POM) de motivar nas Conferências Episcopais, e em todas as dioceses do mundo, esse novo impulso missionário. O passo inicial do Projeto é reforçar a estrutura missionária das Paróquias e comunidades, sob a coordenação e motivação do Conselho Missionário Diocesano, COMIDI.  Junto com isso, a formação missionária será oferecida a todos os grupos, movimentos e associações, com vistas a uma Igreja em estado permanente de missão.

O planejamento Diocesano

A partir das DGAE, as dioceses elaboram seu plano Diocesano. Nossa diocese terá até o final do ano, quem sabe início do ano que vem, o 9º Plano Diocesano da Ação Evangelizadora. A primeira fase já foi colocada em andamento, a revisão feita pelas regiões pastorais. Agora começa a fase seguinte, de conhecer as Diretrizes e sugerir as metas e os métodos para este novo Plano. Teremos então o direcionamento para os próximos 4 anos de caminhada. O Documento das Diretrizes, sozinho, não basta. Precisamos ter em mãos, e no coração, os textos que foram norteadores nestes últimos anos, desde os documentos pontifícios (Evangelii Gaudium, Laudato Si, Amoris Laetitia, Gaudete et Exsultate, Christus Vivit) e os documentos da CNBB (Comunidade de Comunidades, Iniciação à Vida Cristã, Leigos, e outros).

Planejar não é só pensar no futuro. É atualizar desde já a caminhada comum. Acredito que os padres, em conjunto com os agentes de pastoral mais atuantes, os conselhos de pastoral, os Movimentos e grupos de Espiritualidade terão um ano muito enriquecedor que apontará para uma Ação Evangelizadora mais consciente e necessária ao nosso contexto urbano atual.

 

Dom João Bosco, ofm

Bispo Diocesano

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