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BIO, Diocesanas, Notícias › 24/07/2018

Leigo: Uma reflexão o protagonismo laical no CELAM

É da essência da teologia, como serviço eclesial da razão à fé, que as ideias teológicas se institucionalizem em organizações pastorais na Igreja para que ajudem a compreender e sistematizar o seu caminhar. Uma vez organizada, exercem dupla função: conservação das ideias na história e crítica ou aperfeiçoamento das mesmas. Nesse olhar, podemos ter a perspectiva das Comunidades Eclesiais de Base e os Movimentos Leigos como duas organizações fundamentais para compreender as afirmações sobre os leigos nos documentos das Conferências Episcopais. Em ambas, há teologias diferentes: na CEBs predomina a Teologia da Libertação e no Movimento Leigo uma Teologia mais tradicional.

Na América Latina, já havia um processo de caminho de recepção ao Concílio Vaticano II, através das Conferências Episcopais do Continente latino-americano (CELAM), em síntese já havia mostras de toda a reflexão teológica que suscitou o Concílio em nosso solo latino. Pode-se afirmar que toda a inspiração do Concílio Vaticano II não teria seus efeitos desejados, se em cada realidade continental não houvesse um acolhimento pontual e uma reflexão anterior a chegada do Concílio.

“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS, 1), há uma relação entre o método ver julgar e agir, herdado da Ação Católica e na GS. Medellín, Puebla e Aparecida fazem explicitamente o uso deste método, Santo Domingo não faz, mas considera os pontos. Este é o espírito colegial latino-americano, ainda no início do Concílio, que foi se desenvolvendo à medida que o Concílio avançava em suas discussões e decisões.

As Conferências do Episcopado Latino-Americano entendem a teologia do laicato na compreensão da leitura que os bispos fizeram da realidade contextual. Podemos considerar duas razões: a primeira é que o contexto histórico condiciona, em limites e em possibilidades, o envolvimento dos leigos na missão da Igreja; a segunda é que a realidade é um dado fundamental constitutivo usado pelas conferências, dado de método teológico, dessa forma entende-se que a evangelização é uma resposta aos apelos da realidade.

Em geral, as conferências evidenciaram sinais positivos de crescimento social e humanitário, simultaneamente, constataram a permanente situação de pobreza que atingia a grande maioria dos cidadãos latino-americanos, privando-os dos meios que possibilitam o acesso às melhores condições de vida. Junto ao fenômeno da pobreza estão as opções de políticas públicas, governamentais e econômicas, que não primam pelo bem comum e pela justiça social.

Medellín, em sua realidade, expõe uma perspectiva socioeconômica: na passagem de uma sociedade rural a uma sociedade urbana, o que, consequentemente, gerou riquezas econômicas para algumas famílias e insegurança financeira ou marginalidade para outras; o rápido crescimento demográfico e o processo de socialização que diminuiu alguns aspectos da importância e influência social da família, porém ainda permanece seu valor como instituição básica da sociedade global (DM, 2).

Puebla faz uma descrição em uma perspectiva mais sociocultural da realidade: reflete sobre os sofrimentos das famílias devido ao subdesenvolvimento social e econômico e evidencia uma consequente mudança cultural na vida familiar: elas não são mais uma realidade comum, uma vez que as pessoas são vítimas de uma cultura materialista, hedonista e consumista, veiculada pelos meios de comunicação social a serviço de uma estrutura social injusta que viola a dignidade humana (DP, 571-577).

Santo Domingo vai afirmar uma “cultura da morte” que ameaça os valores morais e éticos da família: “a novidade é que estes problemas familiares [uniões consensuais livres, os divórcios, os abortos e as campanhas contraceptivas] se tornaram um problema de ordem ético-política, e uma mentalidade ‘laicizante’ e os meios de comunicação social têm contribuído para isto” (DSD, 216-217, 221).

Em consonância, na cidade de Aparecida, fora constatada uma mudança de época na sociedade hodierna, que afeta a vida familiar (DAP, 44), emergindo novos desafios como o início e o fim da vida, devido às legislações sobre aborto e a eutanásia (DAP, 436), às mudanças em relação à situação da mulher (DAP, 453-457), à responsabilidade do homem e pai de família na atual conjuntura (DAP, 459-462), bem como ao desenvolvimento e amadurecimento da pessoa, no caso dos adolescentes e jovens ( DAP, 443-445); todos esses segmentos da vida familiar sofrem com a constante drogadição e suas nefastas sequelas. Enfim, a família é a caixa de ressonância da mentalidade e dos valores da modernidade que muitas vezes entra em conflito com a ética cristã (DAP, 422-426).

Seminarista Diego Medeiros

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