Highslide for Wordpress Plugin

Santo Rosário: contemplar com a Virgem Maria o rosto de Jesus Cristo

Foto: Imagem Internet

“Meus filhos rezem o terço todos os dias!” (Nossa Senhora de Fátima)

No contexto do ano mariano, em que nosso coração se rejubila com os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora aqui no Brasil, celebramos também o centenário das aparições da Virgem Maria em Fátima, Portugal. Aos treze de maio de 1917, a Santíssima Virgem aparece a três crianças: Lúcia, Francisco e Jacinta e lhes pede que rezem o terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra. Esse convite estende-se a todos nós, por meio dessa bendita oração, através das mãos de Nossa Senhora, possamos alcançar o coração de Deus.

O Beato Bártolo Longo (1841-1926) afirma: “Tal como dois amigos, que se encontram constantemente, costumam configurar-se até mesmo nos hábitos, assim também nós, conversando familiarmente com Jesus e a Virgem, ao meditar os mistérios do Rosário, vivendo unidos a uma mesma vida pela Comunhão, podemos vir a ser, por quanto possível à nossa pequenez, semelhantes a Eles, e aprender destes supremos modelos a vida humilde, pobre, escondida, paciente e perfeita”. Ao recitarmos o Rosário somos convidados a contemplar com a Virgem Maria o rosto de Jesus. “Guardava todas essas coisas, meditando-as em seu coração” (Lc 2, 19), quando rezamos nos unimos às lembranças e ao olhar da Mãe de Deus, aquela que esteve mais próxima de Nosso Senhor.

O Beato Paulo VI (1897-1978), papa que publicou três encíclicas marianas, descreveu o Rosário dessa forma: “Oração evangélica, centrada sobre o mistério da Encarnação redentora, o Rosário é, por isso mesmo, uma prece de orientação profundamente cristológica”, apesar de sua aparência mariana, nos fala dos principais acontecimentos da vida de Jesus Cristo, nosso redentor. Ao rezarmos os mistérios do Rosário, estamos meditando passagens da Sagrada Escritura.

 

O Rosário é a homenagem mais agradável à Mãe de Deus  (Santo Afonso Maria de Ligório)

O Rosário é constituído por 4 ciclos: mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos. Os mistérios gozosos são marcados pela alegria da Encarnação. Contempla-se a Anunciação de São Gabriel à Virgem Maria, sobretudo o seu “sim” generoso e incondicional; o encontro de Maria com Isabel, que faz João Batista pular de alegria no ventre de sua mãe; a apresentação no templo e Jesus aos doze anos ensinando aos mestres e doutores da lei.

Os mistérios luminosos, inseridos por São João Paulo II em 2002, trazem alguns momentos da vida pública de Jesus, anunciando o Evangelho, revelando o Reino de Deus, são eles: o Batismo no Rio Jordão; o início dos milagres nas Bodas de Caná; sua pregação, fazendo o apelo de todos à conversão; a transfiguração no Monte Tabor e a instituição da Sagrada Eucaristia.

Os mistérios dolorosos trazem alguns momentos da Paixão de Cristo, são eles: sua agonia no Horto das Oliveiras; flagelação na casa de Pilatos; a coroação de espinhos; a subida ao Calvário; sua morte na cruz, em que Jesus se esvazia de sua divindade para assumir a fragilidade humana, derramando seu sangue por amor a cada um de nós.

Os mistérios gloriosos alimentam nos fiéis a esperança da plena comunhão com Deus – a vida eterna, ultrapassando as trevas da Paixão para contemplar a glória de Cristo na Ressurreição. São eles: a Ressurreição de Jesus; sua Ascensão aos Céus; a descida do Divino Espírito Santo sobre Maria Santíssima e os apóstolos em Pentecostes; Assunção da Virgem Maria e sua Coroação como a Rainha universal dos Céus e da terra, Rainha dos Anjos e dos Santos, antecipação e mais elevado grau da condição escatológica da Igreja.

O Rosário ajuda o cristão na configuração a Jesus Cristo, buscando a cada dia a santidade. Favorecendo isso, utiliza o método da repetição. Ao rezar a oração que o próprio Jesus nos ensinou, o “Pai Nosso” – que  trata de um verdadeiro programa de vida – nos leva até Deus Pai, o Criador. Em cada mistério, repete-se dez vezes a “Ave-Maria”, belíssima oração que se apodera das palavras de São Gabriel e de Santa Isabel, a parenta da Santíssima Virgem. Trata-se de uma contemplação do mistério de Deus realizado na vida de Nossa Senhora, a Encarnação do Verbo de Deus no sagrado ventre de Maria. Na segunda parte da oração, suplica-se à Mãe de Deus que interceda por nós em nossa vida e também na hora da morte. Finalizando cada mistério com a oração do “Glória”, exprime o objetivo do cristão: ser conduzido ao Pai e ao Espírito Santo por meio de Jesus, Ele que é o caminho, a verdade e a Vida, que conduz o Povo de Deus seguramente até o Pai (cf. Jo 14,6).

“Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e quão magnânimo é ao recompensar os que trabalham para pregá-lo, estabelecê-lo e cultivá-lo. Recitado enquanto são meditados os mistérios sagrados, o Rosário é manancial de maravilhosos frutos e depósito de toda espécie de bens. Através dele, os pecadores obtêm o perdão; as almas sedentas se saciam; os que choram acham alegria; os que são tentados, a tranquilidade; os pobres são socorridos; os religiosos, reformados; os ignorantes, instruídos; os vivos triunfam da vaidade, e as almas do purgatório (por meio de sufrágios) encontram alívio. Perseverai, portanto, nessa santa devoção, e tereis a coroa admirável preparada no Céu para a vossa fidelidade”São Luís Maria Grignion de Montfort.

 

Pe. Luiz Rogério Gemi

Vigário Paroquial da Catedral Santo Antônio

Fonte: BIO - Boletim Informativo de Osasco