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Maria Imaculada: livre de todo o pecado

 

“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!”

“Quando, porém, chegou a plenitude dos tempos, enviou Deus o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para resgatar os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção filial” (Gl 4,4). Desde o princípio, Deus escolheu para ser a Mãe de seu divino Filho uma mulher que amou acima de todas as criaturas. “Deus reuniu todas as águas e chamou-as mar; reuniu todas as graças e chamou-as Maria” – São Luís Maria Grignion de Montfort. A Santíssima Virgem gerou em seu santo ventre o Autor da Divina Graça, portanto foi cumulada da plenitude dos dons celestiais. Daí ser oportuno chamar Maria de Mãe da Divina Graça.

Os seres humanos nascem com a mancha do pecado original, e são libertados dessa mácula nas águas do Batismo, exceto a Virgem Maria, que já fora concebida totalmente isenta de qualquer marca de pecado. Depois de Deus, Ela é a mais repleta de inocência e santidade, beleza e perfeição. Em antecipação aos méritos de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Redentor, a Virgem Maria nunca encontrou-se sob o pecado original, e desta forma, foi remida de modo mais elevado.

Na Encarnação do Verbo de Deus no ventre de Maria, quando o anjo anuncia a Santíssima Virgem, ele a chama de “cheia de graça” – “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28). Esse termo nunca havia sido usado antes com nenhuma outra criatura e tornou evidente que ali estava quem era a sede de todas as graças de Deus, embelezada com todos os carismas do Divino Espírito Santo, nunca sujeita à maldição. Junto de seu Filho, participante da eterna benção. Movida pelo Espírito Santo, Santa Isabel, a parenta da Virgem, afirma: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42).

O pecado entra no mundo com o auxílio de uma mulher – Eva, e também por meio de uma mulher, Maria Santíssima, a co-redentora, entra no mundo a salvação – Jesus. Eva, virgem e inocente, desafortunadamente escuta a serpente infernal, perdendo a inocência original e tornando-se escrava da mesma. A Santíssima Virgem, completamente distante de escutar a serpente, ajudada por Deus, destruiu-a totalmente. O Livro do Apocalipse ensina: “Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas… Ela deu à luz um filho… que regerá todas as nações com cetro de ferro… O Dragão foi derrotado… Foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, o chamado Diabo ou Satanás, sedutor de toda a terra habitada” (Ap 12,1-9). Desde o início dos tempos, Deus escolheu e preparou a Virgem Maria para ser a Arca da Nova Aliança, a habitação de Cristo, aquela que esmagou a cabeça da serpente maligna. “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a sua descendência e a dela” (Gn 3,15).

Inspirada pelo Divino Espírito Santo, a Igreja desde os seus primórdios, de diversas maneiras, ensinou a doutrina a respeito da destacável dignidade de Maria Santíssima. Sempre incentivou-se olhar a Conceição de Nossa Senhora como diferente de todos os outros homens, seja nos ensinamentos ou na Liturgia. O vaso eleito jamais foi ofuscado por qualquer tipo de defeito que esconde os outros, pois ele foi diferente dos outros, com eles compartilhou a natureza, porém não teve em comum a culpa.

A fim de honrar sempre mais na Santíssima Virgem seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, porque toda honra e glória rendidas à Santa Mãe recai sobre seu Filho. Por inspiração do Espírito Santo, em honra da Santíssima Trindade, para exaltação da fé católica, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo e dos apóstolos Pedro e Paulo, o Papa Pio IX, no dia 08 de dezembro de 1854, por meio da bula “Ineffabilis Deus”, declara, pronuncia e define:

“A doutrina que defende a beatíssima Virgem Maria foi preservada de toda mancha do pecado original desde o primeiro instante de sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente e em atenção aos merecimentos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi revelada por Deus e que, por isso, deve ser admitida com fé firme e constante por todos os fiéis”.

Com toda a certeza que nos é possível, a definição do dogma da Imaculada Conceição foi causa de alegria ao Coração da Santíssima Virgem, pois anos antes, no dia 27 de novembro de 1830, em Paris, na França, Nossa Senhora aparece à jovem religiosa Santa Catarina Labouré e pede-lhe que seja confeccionada uma medalha, que os fiéis passariam a chamar de Medalha Milagrosa. O formato da medalha é oval e numa das faces, a Virgem Maria, com os braços estendidos, derrama suas graças, representadas por raios de luz, sobre os fiéis; e esmaga a cabeça da serpente infernal com seus pés. Emoldurando a Santíssima Virgem, as palavras que compõem a belíssima oração: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

 

Em 1858, ou seja, aproximadamente quatro anos após a proclamação do dogma, de 11 de fevereiro a 16 de julho, Maria Santíssima apareceu dezoito vezes, em Lourdes, também na França, a uma filha do povo, a jovem Santa Bernadette Soubirous, declarando ser a Imaculada Conceição.  Era uma quinta-feira, dia 25 de março de 1858, dia da festa da Anunciação do Senhor, assim relata a jovem vidente: “Eu lhe perguntei de novo seu nome, três vezes seguidas. Ela sorria sempre. Por fim, ousei uma quarta vez, e foi então que ela, com os dois braços ao longo do corpo, como na Medalha Milagrosa, levantou os olhos ao Céu e depois me disse, juntando as mãos na altura do peito: Eu sou a Imaculada Conceição”.

Constituída por Deus Rainha universal do céu e da terra, e exaltada acima dos anjos e santos, a Santíssima Virgem está à direita de seu Divino Filho, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que com suas poderosas preces de Mãe suplica incessantemente por todos nós, seus filhos, oferecidos e consagrados à Ela por Jesus no alto do Calvário, quando afirma: “Eis aí o teu filho” (Jo 19,26), “Eis aí tua mãe” (Jo 19,27). Portanto, confiemos sempre na poderosa e materna intercessão de Nossa Senhora, aquela que fora concebida sem o pecado original.

 

Pe. Luiz Rogério Gemi

Vigário Paroquial da Catedral de Santo Antônio

Fonte: BIO - Boletim Informativo de Osasco