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A quaresma e a Campanha da Fraternidade: Exercício para transformar a vida

Foto: Dilvulgação

Exercitamos o nosso corpo e a nossa mente, para nos tornarmos mais forte e inteligentes, não só para buscar a aparência física e intelectual que desejamos, praticando caminhadas, ciclismo, futebol, vôlei, xadrez, leitura e tantos outros que ficaria difícil de enumerar.

 

A quaresma é, no entanto, o momento para exercitarmos o melhor modelo de ser humano que podemos alcançar. A quaresma exige de nós e nos dá a oportunidade de praticarmos o exercício da conversão, para que os músculos do amor e da solidariedade fiquem fortalecidos e nossa compaixão e misericórdia se tornem invencíveis.

 

Nesse contexto também podemos exercitar nossos músculos com o levantamento dos caídos e humilhados em nossa sociedade, para que possam transformar as suas vidas, e se isso for muito pesado, devemos chamar um irmão ou a sua irmã, para realizar juntos esse lindo exercício, afinal, é sempre mais agradável a prática coletiva de esportes e por que não de caridades.

 

O que se vai observando, é que com a prática dos exercícios de misericórdia, compaixão e justiça, vamos nos tornado mais fortes, eficientes e saudáveis deixando a preguiça de lado, melhorando a nossa capacidade afetiva, propiciando aos outros o que lhe pertence por direito e não por caridade, pois todos têm o legítimo direito de viver a vida em abundância (Cf. Jo 10,10b).

 

Quando entramos em uma academia, os primeiros pesos que temos levantamos, não são nada fáceis, e porque não dizer que sofremos bastante, mas a prática leva ao condicionamento e com o templo é possível encarar desafios maiores, desafios que ultrapassam a primeira semana, o primeiro mês, os primeiros quarenta dias, até o ponto que paramos de contar o tempo, pois aquela prática se torna inerente à nossa vida.

 

A quaresma tem esse objetivo, permitir e nos estimular a dar início aos exercícios que nos levam a colaborar com o Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo, e a Campanha da Fraternidade, todos os anos aponta o exercício que devemos praticar e que devemos realizar durante toda a vida, não apenas nos quarenta dias.

 

A Casa Comum é a nossa responsabilidade, nos chama a atenção a CNBB para a Campanha de 2016, clamando através da boca do Profeta Amós: Quero ver o direito como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca (5,24).

 

O objetivo geral da Campanha é “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro da nossa Casa Comum”, na mesma linha da Encíclica do Papa Francisco a “Laudato Si” que aponta as preocupações que devemos ter com o nosso Planeta, a nossa Casa Comum.

 

Cuidando da Nossa Casa, estamos diretamente cuidado daqueles que nela vivem, principalmente dos pobres, que não têm acesso as facilidades que o capitalismo oferece, pois quando lhe falta água na torneira, na cisterna ou no ribeirão, impossível adquiri-la de outra forma.

 

Esses quarenta dias, portanto, não são o começo, meio e fim de uma prática misericordiosa com os nossos irmãos e com o nosso Planeta, mas tem o objetivo de nos preparar para o presente e o futuro. Não se exercita os músculos e o cérebro apenas por quarenta dias e nada mais. Nosso corpo e mente exigem práticas constantes, assim como nossos atos de amor, compaixão, misericórdia, justiça.

 

A Terra é um sistema vivo do qual fazemos parte, sem qualquer exceção. Vamos exercitar também a nossa voz e gritar por aqueles que já perderam as suas forças para pedir socorro, salve-me. Lutar por justiça, pois muito poucos brasileiros têm acesso a saneamento básico e saúde.

 

Devemos sair do conforto em que vivemos, pois se nada for feito, um dia todos serão atingidos, porquanto o saneamento básico é essencial para a vida humana e à proteção ambiental, pois é um direito social do cidadão e dever do Estado.

Fonte: Ariovaldo Lunardi